quinta-feira, dezembro 05, 2013

Mandela - O MAIOR ENTRE TODOS NÓS




Hoje, dia 05/12/2013, após uma vida de batalhas , cessou para Madiba, O MAIOR ENTRE TODOS NÓS.

Um dia mui, mas mui triste para mim. Desde criança eu entendo a importância desse homem e sua luta silenciosa, o impacto disso no mundo e na minha vida...

Tanta coisa nesta vida que eu já tenha presenciado e vivido por ser negro...

Se hoje, posso beijar uma moça caucasiana na rua, sei que devo muito a ele e seus companheiros.

Desde criança eu venero essa história, eu vibrei com a sua soltura como se fosse gol do meu time por volta dos 10 anos e acompanhei como pude a vida dele e seus atos...

Um dos meus maiores ídolos morreu hoje,

e eu não consigo parar de chorar...

e ele sempre sorria...

Obrigado Mandela, muito obrigado,

que você seja recebido no Olimpo, céu dos heróis como um dos grandes...

atualmente, você é (recuso-me a dizer era) o maior entre todos nós...











Abaixo um poema que tinha já publicado no blog



 46664

eu trêmulo temo a minha vida
afinal o que sou?
um símbolo, um ativista
uma sombra, um sonhador
um pensamento, uma vergonha
ou esquecimento?
este que já devia estar morto
ainda se olha no espelho
as paredes são a certeza que o mundo existe
os guardas, o ódio postado em sua face
e a escuridão a minha causa
eu os chamei meus irmãos
mas aqui estou realmente só
cada dedo desiste de segurar esse pedaço de pau
depois de algum tempo
toda luta precisa de um vencedor
e a vida que me era jovem
já me foi tirada faz tempo

você não consegue me deixar em paz não é?
aqui eu sou o senhor do meu mundo
me dedico a escurraçar-te
das fendas deste cativeiro
um animal agressivo
fui pego por falar
meu erro foi achar
que estava pronta
pra me ouvir

aos olhos do mundo: um prisioneiro
os meus: apenas um cativeiro
e o avanço do pensamento
de desperdício do tempo



ps, foto do new york times

terça-feira, dezembro 03, 2013

conto de fadas

Eu tenho dois vizinhos de madrugada
ficam em seus quadrados tecnológicos
eu os vejo pelas frestas das janelas
eu sonho em juntar um com outro
Ele à esquerda, sem camisa e janela sempre escorada
ela à direita, sem pista do que faz acordada
é tamanha solidão,
é tamanho silêncio
é disso que eu entendo
vão meninos...
juntem-se por mim
por vós
e todos que querem ter esperança na humanidade
é preciso um conto de fadas
de vez em quando
mesmo que para combater o estado
100%-total-full-all-time cínico

terça-feira, novembro 26, 2013

Nothing left (vaudeville, reggae & blues-rock)_ NALAPA - (Official Music Video)

Hoje, dia 26/11/2013, nós do NALAPA, lançamos mais um clipe: Nothing left, faixa 4 do CD Samblues for Exiled Dreams.

O clipe é todo estrelado pela vocalista Lueni Vilas e é o primeiro clipe que de fato, apresenta o rosto de alguém da banda... hi hi

Após anos de pedidos, a vocalista conseguiu aparecer, e de cara, já extrapolou tudo, justamente na música que tem cerca de 8 minutos, ela aparece por volta de 95% do filme.

As gravações foram feitas no quarto dela sob a luz de uma lanterna numa mão e uma câmera na outra.

Foi uma das primeiras experiências de atuação dela e não se saiu mal, parabéns!

São poucas pessoas que conseguem segurar a atenção de uma platéia por tanto tempo, ainda mais hoje em dia...

Como easter eggs estão os olhos dela quando canta "take a glance at the moon", o quadro de todo o filme que simula um formato de olho - como se estivéssemos espionando a intimidade deste ser que está sofrendo, e as luzes e a cor que dizem e aparecem no momento chave da música...

Segue no vimeo e no youtube:



Nothing left (vaudeville, reggae & blues-rock)_ NALAPA - (Official Music Video)

o vimeo

Nothing left (vaudeville, reggae & blues-rock)_ NALAPA - (Official Music Video) from NaLaPa on Vimeo.


ou no youtube




Boa audição e quem quiser pode curtir e comentar, valeu!


domingo, outubro 13, 2013

pensando bem...

Se os bebês pudessem falar
e compreendessem a maldade deste mundo irreal
pediriam para mamar
e depois que os enforcassem em seu próprio cordão umbilical

sábado, setembro 21, 2013

vagões

Parece que ainda são vários vagões de depressão
passando calmamente pelos trilhos insinuantes desta montanha
com as janelas fechadas e ar claustrofóbico
um amigo sorri de nervoso, fuma e me oferece um trago
eu respondo que carrego sempre comigo minhas próprias drogas

O monstro segue seus passos no mato, colina abaixo, terra acima
jogado pelos lados, batendo na cortina
aparecem campos claros, e fixam na retina
cada momento de felicidade é pra brindar com vinho e champanhe
estourar a garrafa, melar todos os patrícios por perto
perto disso, eu me sinto com nojo
sou filho de outras praias, outros tempos
meu respeito viria antes da minha opinião
por isso me calo
por tanto disso choro em silêncio
engulo a seco

Continuamos nosso caminho
forçando um sorriso
fazendo cara de pôquer
a porta do banheiro se abre e saem todas nossas esperanças
melecadas, usadas e sujas
o nível vai piorar, é um aviso para os magos do óbvio
daquilo que se diz ciência natural
as águias perseguem os urubus que perseguem carniça
voam como jatos perto das janelas destes colossos
que passam e nunca param pelo tráfego

Cansado de me sentir só, eu viro um eremita
buscando fogo no fundo do oceano
talvez encontremos petróleo
talvez, um vulcão
mas eu acho que morro afogado antes...

domingo, setembro 01, 2013

múltiplos... sorrisos

Obrigado pelas suas múltiplas setas
e múltiplas comemorações
por ser mil vezes um amor
e mais outras tantas O amor
feliz de ser ao seu lado
trezentas partes multiplicadas pelo infinito
o quê nunca esperei ser,
como uma planta que nasce do cimento
feliz, neste mundo concreto
e as inúmeras risadas e olhares
os toques, o sentimento
que soma-se e exponencialmente é multiplicado
temos isso:
uma história
uma vida
alguns anos
momentos sem preço
obrigado pelos de ontem
múltiplos e múltiplos...
sorrisos


e esse escrito
que já tinha fim
foi interrompido
pelo seu telefonema
me ligando pra me dar um beijo
de tantos e tantos outros que já demos
acrescentando mais múltiplos... sorrisos
de tantos e tantos outros que já demos

quinta-feira, agosto 15, 2013

cadê (Amarildo)?

Quem amou, viveu!
.
.
Quem não amou, Amarildo?
.
.
Quem não viveu, Amarildo?
.
.
Quem não amou Amarildo?

terça-feira, julho 30, 2013

notícias de desgosto

cansado
com mau humor
acabei de ver um filme soco no estômago
personagem desliza moralmente
até o fim trágico sozinho
preciso dizer alguma coisa?
nestes tempos de cinismo cívico
O Papa esteve aqui e não houve
uma linha minha dando-lhe um tapa
ando cansado,
desgostoso
e isso é só o começo
um semestre apenas
e nem acabou ainda
faltam mais sete
falta um oceano inteiro
e milhas esburacadas
notícias do esgoto
do merda que tenho sido
notícias de desgosto
e no meio disso tudo
não tocar meu violão é o que mais dói
Vênus de Milo sem os braços

fenomenal e abominável, o dócil

Um gosto de porco cabelo na boca
um pouco de centelho esvaído
pessoas adentram em meu recinto
pé na porta, chute na cara
dentes à mostra,
eu no canto do espetáculo
sem reação
um membro caído
ou a que costumava ter
cortaram minhas unhas
arrancaram minhas presas
eu sou um lobo dócil
gato castrado
malandro apaixonado
em noites furtivas eu quero mais saber de engordar
pisem em mim, eu sou um tapete
estuprem um capacho que não voa
não mais,
pelo menos não desde a infância
essa ilha enevoada que nunca lembro mesmo
ouço passos, mas é meu coração
são as artérias entupindo
são os músculos retesando
é a vida no seu esplendor
o capítulo derradeiro,
a morte plena ainda respirando
mantenho os olhos abertos
embasbacado e pasmo do que vejo
mas não reajo
não viro mais o piano em cima da primeira fila
não queimo mais meu auto retrato
hoje eu o guardo e penduro ao lado da lareira
as pancadas foram fortes demais e hoje sou só um menino assustado
mal sou isso, na verdade!
sequer consigo sonhar
sequer, descansar
sequer, sorrir de fato
mostrar os dentes
é um ato automático
como respirar
mas de noite,
sozinho no meu quarto
eu finjo que fingi o dia inteiro
eu tiro a maquiagem embaixo da máscara
e paro de olhar qualquer espelho
ou por qualquer óculos
paz?
isso é um sonho
eu sequer durmo!

sábado, julho 27, 2013

Hoje é dia de quebrar promessas

Hoje é dia de quebrar promessas
andar e nadar em águas desconhecidas
um novo capítulo aberto na alma
uma porta que se abre para a vida
mas apesar de todos os sorrisos
eu sei o que tem no fim dessa trilha
eu vejo que são os mesmos passos
que todos seguem, minha família
quer de mim isso e aquilo há anos
eu nem vou conservar a mobília

hoje é dia de quebrar as asas
descer ao purgatório e dizer olá
queridos humanos, corram pras suas casas
não há proteção nem por lá
aceitemos as castas
aqui embaixo é difícil respirar
veja as casas com tantas salas
todas luzes sem brilho de piscar
automaticamente enfermo em brasas
isso vai ser de meu corpo o que sobrar

hoje é dia de quebrar o galho
e rir com a fantasia
tudo que sobrou foram migalhas
do que era poesia
um câncer no meio do asfalto
a vida cada vez mais cinza

hoje é dia de quebrar promessas...
hoje é dia





domingo, maio 26, 2013

Dona

Um momento...
uma pausa...
uma respiração...
e Ela já não tem mais isso...
um minuto de silêncio pela aquela
quem criou dois mancebos meio sorridentes
que suou a cada presente
mas nunca foi muito de festas e confetes

há rabiscos que quero contar,
uma triste vida longa por demais
faltavam coisas a mais
vivia-se para o quê?
aceitava-se com bom grado qualquer migalha
ria-se de qualquer desgraça
o muro era alto demais para se ver
além de sombras projetadas de prédios velhos


Um minuto de silêncio pela vida triste que levou
uma benção agora que partiu
um desejo de descanso de quem ficou
o fim do ambiente hostil
Ela era uma mulher forte, alegremente dura
tristemente sozinha
tacanhamente prática
e lindamente sobrevivente
na sua lápide deveria vir escrito
morreu trabalhando
uma velha frase
foi-se como nasceu,
em labuta, em desespero e contando os segundos
e os gestos, e o dinheiro
sequer houve alívio quando mais idosa
sequer houve um momento certeiro
e agora foi-se embora
ficou o silêncio
se a vida que embola
nossos caminhos estreitos
não fosse de furar a bola
e de sonhos desfeitos
mas esses ela não tinha na mente
esquecia de contar aos que estavam com ela
que não sabia o que era sorte
só suor, miséria de gente
uma casa entregue ao pó
uma cantiga diferente
sem notas, harmonia, ou solos
apenas silêncio acachapante
silêncio
...
Ela morreu
sem algum alento
em toda a sua vida
que agora
seja como queria
Que dure anos, anos e mais anos
eterno e pacífico descanso

domingo, maio 05, 2013

Samblues for Exiled Dreams

Finalmente lançamos o álbum novo já está no player do blog,

Samblues for Exiled Dreams

em inglês, e que venham as pedras. A questão toda é que o cenário de música no Brasil está tão fechado para músicas inventivas e novas que temos de buscar nosso lugar no mundo, - feeling an exiled in my own country - me sentindo um exilado no meu próprio país.


São sete faixas e quase 40 minutos de música, e é um CD temático, debruça-se sobre as raízes em comum (os Negros, principalmente) entre Samba e Blues, que são os pais da bossa-nova e do rock, que por sua vez, são os ritmos mais executados no século passado mundialmente.

as artes do álbum e que ele tenha uma boa vida:

a capa








e a contra capa




segunda-feira, abril 29, 2013

Recíproco

Quando olho para o escuro
o escuro me vê
meus braços curtos
se estreitando em volta de não sei o quê
psicopatas hoje matam com os dedos
apunhalando cada quadrado do teclado
eu vi a minha morte dois dias atrás
ela era assistida por quem me ama
um belo drama
psicopatas também matam
sentados na posição mais incisiva de um ônibus
e riem nas paradas quando os velhos caem
com seus corpos franguinhos e frágeis
quicam no asfalto, bolas de pingue pongue
também se abrem e dentro não há mais nada.
Apenas a antiga presunção
a falibilidade deu espaço e se levantou
no lugar da fila preferencial para a senilidade
entre sorrisos podemos ser maus com todos?
Hoje eu dei de recompensa ao meu agressor
sorrisos e gestos de um benfeitor
a lição do fim do livro
quando He-man de sunguinha aparecia
espero ter levado consigo
velho teimoso obtuso de uma figa
mas ninguém se salva
mas ninguém se salva,
vamos todos morrer sozinhos e desamparados
bloco dos corações solitários

segunda-feira, abril 08, 2013

Para uma amiga amada - Dia mundial de combate ao câncer

Hoje é dia mundial de combate ao câncer. E nós com isso?

Bem, eu já perdi a minha vó pra essa doença e atualmente uma amiga mui querida está na batalha contra a mesma.

Concordo um pouco com o Dráuzio Varella quando ele diz que é muito sádico culparmos as pessoas que tem câncer, sem descobrirmos o que realmente causa isso. Carma, mau comportamento, bom comportamento demais, comeu muito tomate, não me importa.

O fato é que o corpo humano deveria durar uns 40 anos e nós já duplicamos isso, logo outras coisas ocorrerão daí.

E mais que isso, o importante mesmo é o que se faz após a descoberta. Minha vó mal teve tempo de reagir após a descoberta, foi definhando e todos nós que a cercávamos dando nosso melhor para nos despedirmos e fazer sua vida digna.

Minha amiga, espero que você se sinta amada por quem está perto de você fisicamente como minha vó o foi, tenho certeza...

Assim como quero que saibas que todos os dias penso em você e penso coisas boas, na minha superstição-crença-filosofia acredito que enviar pensamentos bons se não ajudam, pelo menos não atrapalham.

Acho que é sempre bom se sentir amado e eu amo você minha amiga...

ps. ainda não instalei o skype pq deu conflito com uns programas que uso aqui no meu computer da última vez que fiz isso, tô tentando dar um jeito nisso antes de tentar instalar essa nova versão mas em breve acho que consigo isso ok?

beijos linda, você sempre foi uma pessoa e mulher maravilhosa e que essas letras sejam como um abraço, um beijo e um cafuné de uma tarde inteira ao seu lado sorrindo...



terça-feira, março 26, 2013

Saudades do tamanho de 15 anos... mãe

Hoje completam 15 anos sem você
o dia mais triste da minha vida
aquilo que nunca esquecerei...
como sinto saudades
como acho incrível que sorrias
mesmo com tudo dando errado na vida
a gente não morava num bom lugar
você não tinha descanso
vivia com dores
e no final do dia,
mesmo brigada com seu outro filho
o  mais velho,
você sorria
ingênua, esperançosa
essa força que tinhas
que muitas vezes, me inspira
mas que sinto falta
como sinto falta
você vê, tanta gente pra morrer
e todos amavam você
meu pai, mesmo separado,
nunca conseguiu te esquecer
meu irmão quase surtou
e pra sempre vai carregar esse peso
de estarem de mal há 15 anos atrás
eu sinto por ele...
isso fez com que ele crescesse muito,
mas mãe, e eu?
eu já sabia o que era viver sozinho
já caminhava desde os cinco
tentando e testando minhas próprias pernas
você me ensinou muito em vida
e depois da sua morte o que aprendi
foi não confiar nos próximos
os outros
aqueles que são
no máximo, bem intencionados
e no mínimo, ... ah, deixa pra lá
quero falar da gente.
Como nos dávamos bem
como eu era seu confessor das digressões econômicas que cometia
como você já era mais que mãe, uma amiga
eu sinto tanto a sua falta..
15 anos
eu choro como se fosse há apenas um dia
triste, mãe
você merecia, mui mais
um descanso uma boa vida
mas morreu batalhando como a maioria dos brasileiros de seu tempo
sem saber que as coisas podiam melhorar
e suando a migalha de pão dia após dia
sinto pesar por isso,
e você sorria...
eu choro mãe
tento evitar mas choro
pelo menos hoje
eu choro a falta que você me faz
e o que foi pouca da sua vida
sempre e sempre
saudades
sempre e sempre
amo você
eu espero e torço pra que você esteja num bom lugar
o que sempre mereceu

"Deus que minha mãe esteja num bom lugar, descansando, sorrindo e feliz"

eu sei que você sabe
mas sinto falta de dizer
então vou repetir
sinto muitas saudades
eu amo você
obrigado por tudo!
eu sempre carregarei você comigo!

quinta-feira, março 21, 2013

poeira e moscas

há tanta sujeira por aí
aranhas escarlates em mim
podridão mesmo

quero me sentir limpo
então me banho
quero me proteger
e fujo pro quarto

pela janela eles tomam vida
vultos e vultos, eu os vejo
clamando e uivando
lobos ensandecidos
"somos seu futuro"
eu não queria vê-los
não suporto seu cheiro

minha tia me manda cuidar da minha paranormalidade
meus instintos me mandam ficar quieto no canto
se os fantasmas são reais
e eles já se foram
como fazemos para matá-los de novo?
enterrando a nós mesmos?

eu salivo,
arrepiam os pêlos do corpo
uma contração no estômago
e engulo cuspe e suor
assim são meus dias
juntando e afastando
poeira e moscas...

eu sou a sujeira que os atrai
eu sou "A" merda do mundo
eu tenho doenças a distribuir
e me contamino com minha própria supura

há tanta sujeira por aí...
não entendeu?
isto sou eu em frente ao espelho!


terça-feira, março 19, 2013

nem tanto

o meu samba não é tão samba
e meu blues, nem tão blues
a minha bossa já é velha
e meu cabelo nem é liso
eu poderia ter rimado
mas não sou bom nem nisso
o mundo está certo sobre mim
tudo que faço é ruim
o mundo está certo
o mundo está...


quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Sobre mim e o filme "Searching for Sugar Man"

*Tem Spoilers.

Estou em processo de mixagem do novo álbum da minha banda NaLaPa e quem cria coisas novas e as joga no mundo, sabe que tipo de emoção passa pela nossa alma nestes momentos. São sentimentos de angústia, esperança, frustração, tristeza e alegria muito fortes... apreensão. Toda pessoa que sonha e mexe com essa coisa de arte pioneira sabe que é sobre um gelo fino que patinamos. Talvez, todas as pessoas tenham as mesmas sensações em suas vidas cotidianas também, eu acredito nisso e tento, com minha arte, me comunicar com essa parte de suas vidas.

Enfim, este momento que passo é muito sensível, com tudo à flor da pele escancarado no centro da praça. Dúvidas sobre o futuro, pensamentos sobre as rotas que escolhi e me trouxeram aqui, tentativas de rever algumas decisões. Tudo isso passa pela minha cabeça neste momento de criação e principalmente nesta etapa do processo em que chegamos cada vez mais perto de soltar o “filho” no mundo.

Nesta época, qualquer sinal chega com o dobro de intenção e metade dos vestígios. Transformamos uma coisa qualquer corriqueira em algo extraordinário apenas pelo prazer, ou desprazer de estarmos no caminho correto. Todos precisam de um grau de aprovação e reconhecimento e artistas vivem disso...

Dessa forma, transformo uma conversa com um amigo de infância na qual ele vira pra mim e pergunta quando vou fazer sucesso e eu sem hesitar respondo que provavelmente nunca. Nem parei pra pensar e isso me chocou depois, achando que era o universo respondendo por e principalmente, para mim.

E neste estado de espírito terminamos a primeira Mix de uma das canções do álbum. Concomitantemente a isso, fui assistir o documentário “Searching for Sugar Man” que ganhou o Oscar de melhor documentário. História de um artista americano (Rodriguez) dos anos 70 totalmente desconhecido nos EUA que gravou apenas dois LPs , sobre quem ninguém sabia de nada, de onde veio, pra onde foi e que incrivelmente fazia um sucesso estrondoso na África do Sul. Essas coisas que não se explicam...

Aliás a parte mais bizarra da história é que as poucas informações que se tinha dele é que gravara dois LPs, não fez sucesso nos EUA e se suicidou no palco para poucos que assistiam ao seu concerto, ainda no anos 70.

Pois bem, esses dois álbuns de contracultura são extremamente populares na África do Sul de onde dois musicólogos partiram pra buscar quaisquer dados a mais sobre Rodriguez, como viveu, como foram gravados os LPs, as composições...

Nesta hora do filme já tava bem deprimido, pensando em mais um artista que morreu e não viu sua obra ser apreciada e dignificada, como acontece com tantos, especialmente os pioneiros (no filme um sujeito fala que arte é pioneirismo e eu acredito muito nisso). Já estava chegando ao meio do filme e pensei comigo: que merda, é isso que o universo tem a me dizer... faça suas cançõezinhas, viva sua vidinha e quem sabe depois da morte alguém há de prestar atenção a isso.

Então o filme deu uma guinada, em capa de um CD remasterizado dos álbuns antigos, constava informação de que nada se sabia sobre o paradeiro do músico, nem sobre seu nascimento nem sobre a sua morte. Isto levou os musicólogos do filmes à uma busca pelos sujeitos que tinham participado da produção do disco original nos anos 70. O que os levou à notícia de que o músico estava vivo...

Encurtando aqui digo que é lindo o momento que esse músico, o Rodriguez depois de quase 40 anos é ovacionado na África do Sul pessoalmente pelos seus fãs na excursão que ele fez por lá. Lindo, poético... merecido. Eu chorei horrores.

Será que o universo quer me dizer algo diferente dessa vez? Nunca saberei... mas o filme é foda! E a história, emocionante!

Aqui o link do filme em inglês sem legenda que peguei do site La Cumbuca: 


quarta-feira, fevereiro 20, 2013

recomeço... (uma história)

meu bem merece cada bem pensar
cada colo imaginário tecido de mim
um fóton de intenção embrionário
um sorriso assim
um vasto Império de bons agrados
felicidade sem fim
escolta de Templários
até a igreja de São Crispim
um ato revolucionário
tocando nota de um clarim
verde quase aquático
quase azul marinho

meu bem tem de descansar
de cada sorriso acrobático vindo de mim
vacila a emoção e estático
permaneço meio ruim
solto impropérios aos gritos largos
mas tem de chegar ao fim
essa volta de Maio
uma volta pelo jardim
não me vê apaixonado
mas é só sua falta, enfim
cinza quase nublado
quase sem sorrir

meu bem podemos mudar
quem sabe ouvir o novo da Tulipa Ruiz?
a vida é feita de não enfático
embaralhados com gosto de pudim
é rir sério de fartos fatos
mas tem de voltar a ser feliz
completamente livre dos fardos fados
eu e você assim
agora só faltam quatro
pra preencher o que antes estava aqui
carinho, amor, sorriso e contato
nunca mais, sozinha sem mim








sábado, fevereiro 02, 2013

pausa

Aí você se pega de madrugada
pensando naquela morena linda
e,
ela está ali ao seu lado...
.
.
.
hey, ho, isso é amor

sexta-feira, janeiro 25, 2013

modo zumbi

O mundo é cheio de violências silenciosas
segue moendo e juntando na outra extremidade
se encontram no fundo de uma vala comum
beijando a ponta de uma pá cheia de cal - a verdade -
justamente o grão que falta e se faz oca
nas prateleiras de chiques supermercados
me vendendo por um abraço
aprendendo a engolir calado

à noite, meus pensamentos são fósforos no túmulo
dançam como o vento em arestas
pisam sem querer com coturnos
e valseiam a mais divinas festas

eu queria morrer
tantas e tantas vezes
só pra não encarar mais um dia comum
em que minha alma criptografada do mesmo de sempre
o cidadão que respira, come pão na chapa
diz oi aos vizinhos, respira tranquilamente esse ar
- esse ar que gruda nos brônquios e faz expelir gosmas -
continua a jornada ao descer do ônibus
e se sente feliz pelo fim de mais um dia
onde trocou sua vida pela apatia, escravidão que corrompe
nas melhores famílias vejo um açoite
uma hora vazia que bate na janela de noite
venha à porta amiga
longa é a sua sina
longo é seu cabelo
e haja saco
e haja esmero

eu olho pra escuridão das pessoas
como olho pra parte mais escura do céu
como vejo ao fim da luz do meu quarto
tudo isso não me importa mais
é só silêncio
é sem gosto
é sem vida!

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Lincoln - o filme (resenha opinativa)

Acabei de assistir Lincoln do Spielberg, muito bom o filme!


Para quem como eu gosta de história política, o longa trata bem das manobras e táticas nos bastidores do fim da escravidão (oficial) nos EUA e fim da Guerra Civil deles.

Eu entendo que para não ser muito criticado, Spielberg se antecipou a qualquer fala contrária ao filme no que tange à luta dos Negros Americanos e as coloca permeando ao longo do filme. sempre ditas pelos congressistas

assuntos como

-  Com o fim da Escravidão não terem traçado nenhum plano pros negros livres de adequação à sociedade

ou ainda

- Que alguns congressistas foram comprados com cargos para mudarem de lado...




Tudo isso se vê na tela e quem não quiser ver é porque está de má vontade, pois neste sentido fica até meio desnecessária algumas histórias paralelas de como alguns congressistas mudam os votos ou não, pois o filme nesta hora fica um pouco perdido - Lincoln aparece pouco e especialmente, a mulher dele que vem co-protagonizando o filme até então desaparece da história e só volta no fim...



O filme parece que foi construído em extensa pesquisa histórica, pois cada fala, personagem aborda uma epistemologia diferente de como encara-se esses eventos históricos...

Isso é bom, pois denota zelo com a questão mas, também denota um certo"em cima do murismo" pois tentam englobar no filme diferentes pontos de vista sem distinção entre eles, exceto o Pragmatismo.
Tenta-se fazer prevalecer a idéia defendida no filme por Lincoln que aquele era o ato possível e depois mais atos viriam com o tempo... E que tal tática conseguiu arregimentar vários interesses conflitosos até então.


O problema dessa visão pragmática de atos é gerar covardes nas ações, um dia ainda vão fazer um filme do Che e mostrar que o Fidel (o herói do filme) era pragmático e ele o sonhador - essa crença que Holywood quer levar adiante de que o pragmatismo alcança o que o Sonho e a Vontade não - um conselho à essas pessoas, vão ler Russeau! Ter um pouco mais de fibra nessas vossas almas!

Outro problema do filme - e este me incomodou mais ainda - é que durante o filme inteiro (2h30) há apenas quatro cenas em que os Negros falam

 - uma no começo (o filme inicia com a fala de um Negro) e ele demonstra gostar muito do Lincoln apesar de querer mais dele no sentido de melhorar a situação do Negros

- outra em que uma governanta diz que recebeu castigos físicos, mas passa batido, como um raio, essa fala pois muda-se de assunto logo em seguida


- outra que essa mesma governanta fala - e aqui senti que ela falava por todos os Negros no filme - que os Negros só queriam a Liberdade sem se preocuparem com o que viesse depois, só iriam pensar nisso depois de conquistar a Liberdade - reforçando aqui a visão pragmática que o filme tenta vender


- e uma última cena de uma Negra que é esposa e governanta de um congressista e lê a Lei como foi assinada



Apenas no começo a fala dos Negros é combativa com a realidade que os cerca, e mesmo assim naquela cena tem outro Negro tentando fazer o sujeito em questão se queixar menos com o presidente.


Agora, imagina que vamos contar a história da libertação do povo de Israel do Egito...

A primeira coisa que se pensa é na epopéia de Moisés e do povo, de como eles lutaram, sofreram para conseguirem sua liberdade. Ninguém as deu para eles... eles foram lá e pegaram à força.

Esse é meu problema com a historiografia da libertação dos escravos, tanto nos EUA como no Brasil tenta se vender a história de que um sujeito Branco humanizado de bom coração se encheu de piedade e concedeu a Liberdade aos Negros.

Imagina fazer um filme contando os bastidores políticos do faraó do Egito e seus conselheiros pensando que era hora de acabar com a escravidão do povo judeu, sem mostrar durante o filme uma luta sequer, um judeu sequer esbravejando pela situação que se encontrava e pior... mostrando um judeu tendo o faraó em alta conta ao ponto de reproduzir um discurso dele? kkkkkk

Se eu fizesse tal filme seria chamado de anti sionista pra baixo... com alguma dose de razão.

Então devemos chamar esse filme de racista? Não!

Ele é só a visão de Brancos sobre uma questão que poucos Brancos conseguem entender na pele, assim como muitos Negros o conseguem porque a vida os faz entender desde pequenos... Devemos salientar essas estranhezas mas sem deixar de curtir o filme que pode ser classificado de bem intencionado com a causa Negra naquele país - reducionista e pragmático, mas bem intencionado!


E o filme é só isso? Não, eu deixei o melhor para o fim...


Daniel Day-Lewis, Sally Field e Tommy Lee Jones - que aula de interpretação, aplausos de pé!

Daniel conseguiu fazer de uma figura histórica e imponente - vide aquela estátua - um ser humano com falhas vontades, perspicaz, cheio de maquinações (afinal é advogado rs) - Daniel está deslumbrante em cada gesto, cada passo da persona que ele montou. Não vi os outros todos mas parece certo o Oscar - e merecido, não seria injusto pois seu trabalho está livre de qualquer crítica.

Sally Field - fazendo o que sabe fazer de melhor, uma mulher forte e emotiva - a cena dos dois discutindo é pra entrar na História do cinema, ângulo, figurinos, reações,câmera...  poutz! Na primeira metade do filme ela é co-protagonista e a cena que melhor explica essa personagem é um monólogo praticamente, que ela faz ao Tommy Lee. Perfeito! Também deve ir pra ela o Oscar e merecido!


Tommy - a grande surpresa do filme - sujeito que se especializou em canastrões faz um personagem  que começamos odiando no filme e acabamos amando e ele consegue nos enganar todas as vezes que entra em cena... clap clap.

Bem, é isso, vão assistir esse filme que é mui bom e se forem discutir escravidão, negros, brancos, por favor não fiquem só nas cotas... a questão é mui maior que isso ok?






quinta-feira, janeiro 10, 2013

Re(a)flito

Às vezes parece que para quebrar o ciclo da minha vida de ansiedade e decepção devo adotar o caminho budista do não desejo,
mas não me conformo com essa atitude tão passiva, de aceitar tudo que chega e existe, sem resistência ou foça pra mudar.
Não combina comigo, mesmo sofrendo
Eu prefiro ser autor da minha história do que mero expectador e interpretador do que seria destinado a mim...

terça-feira, janeiro 01, 2013

medo

Eu não gosto do seu gosto
não me contenho em saber
que caminhas a passo largo
o instante em que
vai atracar em meu porto
seu navio enroscado de
volumes e feitiços
um esforço de ser
oposto ao que contradigo
levanta e vê
convalescendo por esgotos
inexistentes geraldinos
em carruagens de fé
todos sozinhos
esperando não amontoarem-se
não suicidarem-se
não matarem-se
uns aos outros
simplesmente porque
como meus fidalgos amigos
eu sei também
o preço do divino
e o que custar ter
um pedaço disso
dentro de si mesmo
um pouco de você
andarilho antigo
chamas da vida doce
chamas pelo nome anterior
dissimulado instinto
cólera e pudor
que me tem a cada solstício
que me tem como um amor
aliás, não isso
isso não
só talvez um passatempo credor
de favores e coleguismos
deito na relva
rumo a um torpor
quero me mostrar digno
mas me olha e vê que sinto
é medo, medo, medo,
medo, medo e medo...