quarta-feira, junho 14, 2006

pirraça e teima

era e era
não é mais
eras e eras atrás
eu fui
o que todos queriam que fosse
e hoje
ai meu deus
viram os olhos quando passo
fodam-se
lhes digo
fodam-se mais e mais
essa é minha vida
e eu faço o que quiser e puder
pra encontrar minha felicidade
vou errar feio eu sei
mas serão os meus erros
ninguém tem a capacidade
de segurar minhas mãos
nessas horas atormentadas?
então fodam-se
quer achar que eu não presto pra nada?
então foda-se
não presto mesmo
isso é até um elogio
para um narciso
isso é até uma elegia
para um nilista
essa pirraça é só que semearam em mim
anos atrás
bato o pé
não vou ser igual a vocês
não vou ter o mesmo fim!

tragi-comédia shakesperiana

não parece às vezes que a vida
como diria shakespeare
é muito barulho por nada?
que fazemos grandes atuações
em frente ao espelho
só pra nós mesmos
os meus atos mais nobres
foram solitários
como daquela vez que refreei
uma paixão por um amigo poder viver a sua
como daquela vez que mudei o mundo
jogando meu lixo e dos outros na caçamba
ou então quando fiquei com toda a turma até o fim do trabalho
mesmo o meu já tendo acabado fazia e jazia algum tempo
é no silêncio que acontece a vida
são nas metáforas que as coisas podem ser entendidas senão
não o serão
veja, ou se percebe ou não
é assim mesmo, um corte
e você minha cara perdeu essa,
não viu meu ato mais humano e desesperado,
eu rendido e esperançoso
sonhador enfim,
pedindo um carinho do seu lado
e salvação
essa você perdeu
e perdi eu
sempre perco eu!

POIS É- LOS HERMANOS

a música que está no meu ouvido, mente e sentimentos...


Pois é, não deu
Deixa assim como está sereno
Pois é de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver
E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver
avisa que é de se entregar o viver

Pois é, até
Onde o destino não previu
Sei mas atrás vou até onde eu consegui
Deixa o amanhã e a gente sorri
Que o coração já quer descansar
Clareia minha vida, amor, no olhar
Clareia minha vida, amor, no olhar

segunda-feira, junho 05, 2006

chega

é isso aí
seis horas
mais uma noite que eu aguentei
as piores horas já passaram
agora todos acordam
e podem finalmente me embalar os pensamentos
e eu contra todos os prognósticos
estou vivo
nesta selva de pedra contra tudo e contra todos
fazendo e fazendo mal
a tudo que encosto
mesmo quando quero dar carinho
chega de pedir desculpa por eu ser eu mesmo
chega

sortilégio dos querem-morte

ah você não sabia
que passo a madrugada
me coçando em despedidas?

afinal o quê
um ser solitário
e debochado vai fazer?

a esta hora
de desabrochar meninas
de contos de suicidas...

como diriam nas festas juninas:
- é mentira!

voluntários...

entendo os suicidas
tomam nas mãos
seu destino cão
sentem frio mas ao ranger dos dentes
mordem a língua porque o sangue é morno
é consolo
queimam seus braços quando abraçam
mas não quando seguram navalhas e instrumentos de dor
acham que tudo está errado
(e está mesmo)
são os voluntários pra pegar esse bilhete de saída
de partida
há quem espera voltar num ambiente melhor
e há quem não
há os simplesmente que não suportam mais
desses eu entendo

a volta

sim reconheço
é o mesmo veneno
me atingindo
me tomando o corpo
me fazendo o copo
descer pela guela
me incendiando
e me jogando da janela

eu sei, achei que sobreviveria a mais uma primavera
sem essas andanças, sem essas mordaças
mas aqui estou em pé em frente a esse velho amigo
seus contornos que conheço, velho abismo
eu olho pra baixo e continuam as placas que deixei enquanto subia
dizendo: os sonhos não tem vez, deixe passar o dia
melindres da minha mais do que sofrida personagem
encarnada em alma neste mundo de águas sujas
e a placa mais decorativa no fundo dessa barragem:
- o que você precisa é de um impulso, vá lá Pula!

manual de pequenas coisas práticas 2

coisas que sei...
manchas na sua roupa te impedem de conseguir emprego
as "manchas" de pele também
pessoas sorriem quando estão nervosas
e choram quando querem atenção
as paredes são claustrofóbicas
as portas também
o que pode te salvar, geralmente, pode te esmagar
conselhos são oriundos de vidas não vividas
o poder é para poucos usufruírem
aos muitos sobram o resto, o vislumbre e a ganância
existem várias formas de batalha mas a mais cruel
é a de tentar...
os homens em geral estão em extinção
as mulheres estão masculinizadas demais
as crianças estão adultas
daqui a pouco nem os bebês se salvam
os adultos pôem seus sonhos nas costas das outras gerações
a vida é passageira
é dor e
é sofrimento
90% dos seus sonhos não se concretizarão
metade dos humanos é descartável e a outra metade também
você que lê isso discorda de 60% das coisas que estão escritas acima
(mas sentiu os mesmos 60% em algum momento da sua vida)
você sorri quando alguém te diz que é idiota continuar vivendo
você pensa que pensa sozinho sem interferências da midia
(ou apenas ignora essa interferência)
você pode até achar que eu sou louco mas algo diz aí que tenho um pouco de razão
você está errado até nisso, eu não tenho razão
...
e quanto aos sonhos?
eles são para quem dorme
eu sou insômine

quinta-feira, junho 01, 2006

não estão dando tão certo assim

estou achando que está voltando minha vontade de partir o mundo
e me partir nele
que seria, na verdade,
minha despedida
esse último ato nem quero pra mim mais (por enquanto)
quero só essa pretensa liberdade
de ser dono do chão que pisa minha sombra e só
isso acontece quando as coisas não estão dando tão certo assim
e elas de fato, não estão

poesia = carinho

devia de haver mais poesia na vida
sem ironias, sem histórias educativas
apenas poesia

arte, pelo simples pulsar do seu coração
pela simples razão de se sentir mais vivo
pela desobstrução dos seus sentidos

que houvesse poesia
que dela nos permitíssemos um alívio
uma pausa dessa constante vida
desse cinza martírio

que do tempo houvesse a hora do espetáculo
surgissem os fatos mais lindos
fôssemos levados
como expectadores passivos
arrebatados e colhidos

que a poesia surgisse
salvando corações da incerteza
pois veja
dessa vida triste
só a poesia nos daria a grandeza
de aguentarmos todos esses xistes
manias de esperteza,
armadilhas..., e de brinde

teríamos a confiança tal
de que a poesia
bela e fulgáz
nos alcamaria de qualquer espécie de mal