essa é uma palavra de tristeza
dentro de um escrito unido por sílabas de tristeza
com letras solitárias forçadas a caminharem juntas
sabendo que o destino é um poema mal acabado
esse é um respiro
um falso início de um novo parágrafo
chega uma idade e todos já sabemos
todos os truques dos magos
a noite avança em desperdício
era um homem, um ser cheio de mágoas
que caiu da ponte e o mar levou
era uma história para ter um fim feliz
mas ninguém sabe ao certo
se, e quando é o fim de histórias assim
era pra ser eu ali naquele quadro
na foto feliz
mas não gosto de mim mesmo
e dia sim e dia não nem quero estar vivo
quanto mais, quero algo específico
era pra ser... simples assim
sexta-feira, fevereiro 06, 2015
terça-feira, fevereiro 03, 2015
Ela (Crônica - conto)
Passo por ela na portaria de serviço do prédio, ela está terminando de fumar um cigarro. Alguns detalhes visíveis e a idade me fazem concluir que sua história, cheia de altos e baixos, teve mais momentos tristes...
Não a cumprimento, eu evito pessoas e seus olhares, julgamentos, falsos sorrisos. Não é medo de me machucar com suas reações sociais ditas normais - nunca fui de saber como me comportar direito em cada situação mesmo. É o inverso que me incomoda...
Cheguei no elevador e ele não estava ali, aflito apertei mais de uma vez o botão. Não acelera o elefante de metal, mas me faz sentir que tenho algum controle e talvez possa evitar acontecimentos desnecessários...
Tarde demais, a moça volta de seu momento relaxante. O cigarro havia terminado, de volta à realidade. Dá boa noite, eu murmuro qualquer coisa de volta que se entende como equivalente à um aceno gentil. Seguro a porta para ela passar, entro e aperto o botão do meu andar.
O fone de ouvido, a minha cara de impassível não foram suficientes ... ela precisava desabafar, exclamar. E que situação melhor falar com um desconhecido que nunca te vira antes, em um prédio onde as pessoas não se importam com ninguém? Começou:
- O cigarro... - e fez uma pausa dramática pra assegurar que eu estava preso na sua rede de atenção.
Eu tirei um dos lados do fone e olhei para ela. Ela tinha passado pelo meu teste inicial, se vai valer a pena ou não ouvir as pessoas. Quando elas querem muito e precisam, não há etiqueta social, cara de poucos amigos, impessoalidade e fones de ouvido que as controlem... elas desabafam, elas precisam disso. Então, ela continuou ao me ver esperar na porta do elevador, já aberta e impedida de fechar por mim:
- Eu já tentei parar, mas aí sempre acontece alguma coisa...
Eu esperei por mais, aquilo deveria ser o suficiente para ela. Talvez ela só precisasse de alguém para ouvir seu lamento. Aquela noite ela conseguiria dormir, depois daquele instante. Depois de colocar aquela frustração para fora e ter um desconhecido que a ouvira no elevador de serviço do prédio.
Eu olhei seu rosto, estava em paz. A sua feição era de alguém que batalhou bastante e por alguns segundos se deu um respiro, um pequeno alívio...
Poderia ter deixado a porta do elevador correr, a noite dela estava garantida. Mas, eu não gosto de ver as pessoas em paz. Eu não gosto de ser consolo de ninguém, simplesmente porque sei que não importa o que se faça sempre há uma única conclusão e eu falei com todas as letras enquanto a porta corria:
- A vida é uma merda, não sei por que a gente ainda tenta.
E o elevador se foi, aquela mulher se foi junto com ele. Eu virei as costas, e agora sim, eu poderia dormir em paz.
Não a cumprimento, eu evito pessoas e seus olhares, julgamentos, falsos sorrisos. Não é medo de me machucar com suas reações sociais ditas normais - nunca fui de saber como me comportar direito em cada situação mesmo. É o inverso que me incomoda...
Cheguei no elevador e ele não estava ali, aflito apertei mais de uma vez o botão. Não acelera o elefante de metal, mas me faz sentir que tenho algum controle e talvez possa evitar acontecimentos desnecessários...
Tarde demais, a moça volta de seu momento relaxante. O cigarro havia terminado, de volta à realidade. Dá boa noite, eu murmuro qualquer coisa de volta que se entende como equivalente à um aceno gentil. Seguro a porta para ela passar, entro e aperto o botão do meu andar.
O fone de ouvido, a minha cara de impassível não foram suficientes ... ela precisava desabafar, exclamar. E que situação melhor falar com um desconhecido que nunca te vira antes, em um prédio onde as pessoas não se importam com ninguém? Começou:
- O cigarro... - e fez uma pausa dramática pra assegurar que eu estava preso na sua rede de atenção.
Eu tirei um dos lados do fone e olhei para ela. Ela tinha passado pelo meu teste inicial, se vai valer a pena ou não ouvir as pessoas. Quando elas querem muito e precisam, não há etiqueta social, cara de poucos amigos, impessoalidade e fones de ouvido que as controlem... elas desabafam, elas precisam disso. Então, ela continuou ao me ver esperar na porta do elevador, já aberta e impedida de fechar por mim:
- Eu já tentei parar, mas aí sempre acontece alguma coisa...
Eu esperei por mais, aquilo deveria ser o suficiente para ela. Talvez ela só precisasse de alguém para ouvir seu lamento. Aquela noite ela conseguiria dormir, depois daquele instante. Depois de colocar aquela frustração para fora e ter um desconhecido que a ouvira no elevador de serviço do prédio.
Eu olhei seu rosto, estava em paz. A sua feição era de alguém que batalhou bastante e por alguns segundos se deu um respiro, um pequeno alívio...
Poderia ter deixado a porta do elevador correr, a noite dela estava garantida. Mas, eu não gosto de ver as pessoas em paz. Eu não gosto de ser consolo de ninguém, simplesmente porque sei que não importa o que se faça sempre há uma única conclusão e eu falei com todas as letras enquanto a porta corria:
- A vida é uma merda, não sei por que a gente ainda tenta.
E o elevador se foi, aquela mulher se foi junto com ele. Eu virei as costas, e agora sim, eu poderia dormir em paz.
sábado, janeiro 24, 2015
Poeminha da chegada
Oi, tô em casa já
já já com saudades suas
sua linda
inda agora tava nos meus braços
aço é essa vida longe de você
ocê é linda
já já com saudades suas
sua linda
inda agora tava nos meus braços
aço é essa vida longe de você
ocê é linda
quinta-feira, janeiro 15, 2015
Só quem é feio produz coisas tão belas
Eu não sou ninguém
não se deve ler meus fracassos
e é só isso que tem
neste calhamaço
há vidas e momentos
os meus, são erros
uma sucessão de histórias tolas
que não fazem sequer motivo
um joelho quebrado
um problema pulmonar
aulas de natação
um beijo roubado
uma canção mal feita
uma rima que nunca saiu da cabeça
desejos mortos que sequer nasceram direito
placentas guardadas em vidros na estante
esquecidas com o tempo
a certeza da feiura
os nãos das moças
os sim de outras
mesmo em vitórias, as perdas
uma mãe que não se levanta mais e te dá bom dia
duas bandas perdidas
uma história secreta que nem merece ser revolvida
de vez em quando um sereno,
sorrisos, beijos e encantos
aprender a tocar violão
escrever desde não sei quantos anos
conectar-me com outros vivos-sofrimentos
me comunicar sem engano
nada que emergisse do quadro geral
mesmo se um dia produzisse algo lindo
saberia que é condição dos afetados
os desgraçados e amaldiçoados
o tocador de piano com o pé
a flor que brota do cimento
não se deve ter júbilo e ficar acostumado
só quem é feio produz coisas tão belas...
não se deve ler meus fracassos
e é só isso que tem
neste calhamaço
há vidas e momentos
os meus, são erros
uma sucessão de histórias tolas
que não fazem sequer motivo
um joelho quebrado
um problema pulmonar
aulas de natação
um beijo roubado
uma canção mal feita
uma rima que nunca saiu da cabeça
desejos mortos que sequer nasceram direito
placentas guardadas em vidros na estante
esquecidas com o tempo
a certeza da feiura
os nãos das moças
os sim de outras
mesmo em vitórias, as perdas
uma mãe que não se levanta mais e te dá bom dia
duas bandas perdidas
uma história secreta que nem merece ser revolvida
de vez em quando um sereno,
sorrisos, beijos e encantos
aprender a tocar violão
escrever desde não sei quantos anos
conectar-me com outros vivos-sofrimentos
me comunicar sem engano
nada que emergisse do quadro geral
mesmo se um dia produzisse algo lindo
saberia que é condição dos afetados
os desgraçados e amaldiçoados
o tocador de piano com o pé
a flor que brota do cimento
não se deve ter júbilo e ficar acostumado
só quem é feio produz coisas tão belas...
sexta-feira, setembro 26, 2014
Parece...
Não gosto de viajar
sou chato, sou velho
não gosto de crianças, nem de bichos
em dois dias farei 34 anos
tempo demais por aqui não acham?
eu definitivamente acho
aliás, todo santo dia, eu penso sobre isso
quantas mais torturantes horas?
quantas mais decepções?
li bons livros,
escutei boa musica
mas nada que me seja mais encantador
parece que caminho a passos largos
pra uma vida sem sabor
nem cor...
amor sem paixão
paixão, sem amor...
domingo, junho 29, 2014
Mídia esportiva canarinha...
Fim da copa _____ Eleições
Fim da copa ___ Eleições
Fim da copa _ Eleições
Fim da coEplaeições
Fim Edlieaiçcõoepsa
EFliemi çdõa ecsopa
sábado, abril 26, 2014
a nova viola
Foi um saco garimpar no meio de toda a Carioca e adjacências, mas tudo bem, valeu a pena...
Comprei em 24/04/14.
E já comecei a customizar he he, botei o parafuso da correia e um captador que pretendo utilizar junto.
Captação híbrida baby... melhor coisa que ouvi nos últimos tempos...
Ei-la, minha viola, uma Hofma HFM 250 (violão de cordas de aço, modelo folk):
Comprei em 24/04/14.
E já comecei a customizar he he, botei o parafuso da correia e um captador que pretendo utilizar junto.
Captação híbrida baby... melhor coisa que ouvi nos últimos tempos...
Ei-la, minha viola, uma Hofma HFM 250 (violão de cordas de aço, modelo folk):
segunda-feira, fevereiro 10, 2014
o cadafalso
Trilha desse escrito: Miles Davis e sua trilha para o "ascensor para o cadafalso" de Louis Malle.
nascido de uma gestação indesejada
pedra no sapato de quem eu amo
desde sempre, o sentimento primordial
por isso tanto medo de estar incomodando
a melhor das intenções,
os piores atos
e sequer tenho um bom advogado
só o inquisidor que me deixa amarrado
afogado até confessar crimes sem pecado
vomito já a bílis
não tem mais nada a ser retirado
nú em frente aos juízes
eu sigo meus passos
é só mais um cadafalso
é só mais um condenado
mil vezes sentenciado
e executado
com meus próprios punhos
enforcado
nascido de uma gestação indesejada
pedra no sapato de quem eu amo
desde sempre, o sentimento primordial
por isso tanto medo de estar incomodando
a melhor das intenções,
os piores atos
e sequer tenho um bom advogado
só o inquisidor que me deixa amarrado
afogado até confessar crimes sem pecado
vomito já a bílis
não tem mais nada a ser retirado
nú em frente aos juízes
eu sigo meus passos
é só mais um cadafalso
é só mais um condenado
mil vezes sentenciado
e executado
com meus próprios punhos
enforcado
sábado, fevereiro 01, 2014
Um simples beijo
E que todo beijo seja simples
qualquer beijo
amado
desejado
um simples beijo de mil passos
a distância pra acabar com o ódio
beija o que te agrada
vem e me beija nos teus braços
.
.
.
qualquer beijo
amado
desejado
um simples beijo de mil passos
a distância pra acabar com o ódio
beija o que te agrada
vem e me beija nos teus braços
.
.
.
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