segunda-feira, março 13, 2017

Encontros de corredores estreitos

Nos muros de sua própria existência
respirava carbono
e as pessoas só falavam macarrão
em línguas compridas
e se lutava por cada respiro
ironia
para um claustrofóbico
mas já acostumado já

Cresceram espinhos onde eram pelos
os meninos não confiam mais nos instintos
castraram desde os testículos
não queria tocar em tanta gente mas é necessário
não queria esbarrar em tantos olhares
mas corredores são estreitos
dias melhores porvir
mas hoje não
hoje está tudo engarrafado
as vias fechadas
em câmera lenta
chegamos sempre atrasados
quem não quer se manter no horário?
até os magos esperam a lua vingar
para conjurarem seus feitiços

De todos os olhares eu queria saber como trazer o seu pra perto de mim
de tantas sensações, o nosso segredo é o que tem me mantido quase firme
isto que dá vontade de espalhar
criança e tinta guache
somos tão felizes juntos
não há miséria de espírito
que adentre aquelas paredes
quando decidirmos levantar nosso muro
há de se perguntar:
Por que é necessária tanta proteção?
Deveriam só ninjas saberem de nosso oásis
e cegarem logo em seguida
Estou quase chegando em algum destino
mas não evito em olhar para os lados
lamentar a braguilha aberta na minha direção
de quem entrou à fórceps entre minhas pernas
batalhamos e eu perdi
como todas minhas grandes batalhas







Mantra

I hate my life
I wanna kill myself
I hate myself
I want to kill my life


quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Para registro

Hoje eu terminei meu álbum
um só meu
só eu toco
só eu gravei nele
só meu

nem sei ainda se vou colocar pros outros isso
acho que quero desfrutar mais um momento disso
algo que fiz,
que batalhei tanto
e contra mim mesmo, muitas vezes
depois de um dos anos mais difíceis da minha vida...

hoje, eu terminei

menções honrosas à ajuda do Yves e Mariana
sem eles não teria saído






Um dia me vi sem amigos,
sem banda para tocar
com o país fodido
e ninguém pra me consolar
só eu e meu violão...
um microfone na frente e o instinto
captei essa solidão
esse álbum é sobre tudo isso

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Sou eu



As pessoas olham pra mim e tem convicção

De que sou maconheiro pelas tranças

De que sou ladrão pela cor

De que sou gay pelo falar baixo

De que sou metido pela timidez

Tanto por tão pouco...

segunda-feira, janeiro 02, 2017

2017

Sabe do quê?
todo ano eu só conseguia uma energia de renovação no começo
2016 me traumatizou
que venha 2017...
com sangue nos olhos,
hoje eu acredito em revide das violências...

terça-feira, outubro 25, 2016

Janaína, a golpista

Janaína,
você é o tipo de excremento que a sociedade fabrica de vez em quando...
pra nos lembrar a todos que conviver com você nos torna porcos.



domingo, setembro 25, 2016

24 de setembro de 16 - o fim

Amorinha...

Hoje eu morri pra você
Eu sei disso
ou melhor, eu me suicidei pra você
fui à loja, comprei uma corda e uma pá
escolhi um terreno e cavei o buraco
você assistiu impávida e dizia
- eu não tô acreditando nisso!
e eu continuava...
abri minha própria cova
sorri com meu projeto
não era o que queria
mas meu corpo precisava descansar
outro dia li por aí:
será que quando se trancam no casulo
as larvas sabem que vão ser borboletas?
Ou é só a natureza mandando...
tenho a mínima idéia dos meus passos
apenas que estou mal
definhando a cada piscar de olhos
triste, quebrado, destruído, devastado
e achando que ia precisar de você mais do que nunca

o que eu faço?
Me forço a não precisar de ninguém
nem que atravesse portas
com o cérebro exposto de um crânio arrebentado
planto uma bomba na fundição do prédio
e jogo fora o projeto...

e esse nosso projeto era tão lindo
viver e morrermos juntos...
ou até um dos dois se for

eu fui antes.
bem diante de seus olhos
sou desses: apressado e sem modos
na verdade, eu sou um gentleman
mas as máscaras caem...
eu precisava fazer isso
meu coração claudicante já parava de bater
as horas passavam e estávamos perto das 3 da manhã
e todos sabemos que essa é a hora da besta
dos filmes de terror que nunca assisti,
não posso nem ouvir sussurros de ventiladores
que me cago

diria o Arnaldo
"eu tenho medo
cuspo em tudo
só não cuspo no chão
e nem no violão"


a cada segundo me arrependo um pouco mais de estar vivo....

domingo, agosto 07, 2016

Só sou homem por causa do Flamengo...

Descobri que só sou homem por causa do Flamengo...

Quando eu era criança falaram, homem não cruza as pernas assim, e eu sigo cruzando.
Homem não chora, e na primeira vez que fui ao cinema numa matinê no amado e extinto Palácio, me debulhei em lágrimas quando o E.T. morria. Na semana seguinte, pra comprovar que não era homem mesmo, chorei com a pobre da mãe do Bambi...

Homem que é homem gosta de cerveja... nope, nenhum álcool, nem bombom de rum eu gosto (mas sem moralismos, só não gosto do gosto mesmo, amo meus amigos ébrios).

Homem tem que “caçar” mulheres indiscriminadamente. Eu acredito em amizades entre homens e mulheres sem necessariamente terem um vínculo sexual. E minhas melhores amigas sempre foram mulheres (mais uma vez, sem moralismos, também se pode e acho saudabilíssimo relações de amizades afetivas que envolvam sexo).

Homem cospe no chão, coça o saco em público, é sujo, fala alto, arrota alto, fica brincando de porrada com os amigos, mexe com todas mulheres na rua... Jesus, minha mãe me criou pra ser seu príncipe, desculpa, mas não rola ser isso aê não...kkkk

Enfim, descobri desde cedo que não era homem exceto por duas razões... ter atração física pela figura e traços consolidados como femininos (o quê não me difere de algumas lésbicas) e ser apaixonado pelo Flamengo (o quê também não me diferencia de algumas lésbicas rsrs)...

A primeira vez que entrei no Maracanã e vi aquele verde gramado, foi como ver o Éden – pra quem acredita nessas metafísicas... passei por gente me apertando nas filas, lugares fedidos a mijo, gritos, confusões... mas, aquele momento que passei pelo corredor escuro e saí na arquibancada pra ver aquele "jardim" foi emblemático.

Em seguida, vi desbravar aquelas camisas rubro-negras em contraste com o verde. Que estilista do mundo conseguiria harmonizar tais cores? Mas ali, naquele templo eu senti algo do que foi uma experiência sagrada pra mim, eu amei aquele time, aquelas cores, aquele símbolo e amo até hoje, umas vezes com mais paciência outras, com menos...

Flamengo é o nome social que quer dizer “improvável futebol clube realizador de milagres”...

A cultura do ser Flamengo – porque é mais do que torcer, é viver na alma – é acreditar no impossível, nos sonhos. É não ter nenhum motivo moral pra seguir, mas, dar de ombros e se levantar assim mesmo. Ser flamengo, pra mim, ajuda a me decidir entre continuar respirando ou não algumas vezes...

Quando eu nasci, meu pai mostrou meu pinto em orgulho pelo hospital se gabando pelo filho macho que teve. Eu cresci e só fui decepção pra ele...

E de todas as coisas ruins que ele me provocou eu o perdôo, ele e minha mãe (essa sim, me deu mui mais) me deram o Flamengo!

E isso é ser homem, homens perdoam...

E seguem.

sexta-feira, maio 06, 2016

Madrugada sincera

Duas da manhã.
Vontade zero de dormir.
Menos ainda de acordar.

Falando-se sobre a Terra dando voltas e voltas em torno do Sol,
acho que estou em depressão.

.
.
.


Morreu de quê?
- Falta de sono e tristeza, não necessariamente nesta ordem...

quarta-feira, março 09, 2016

Coerção


Era uma criança, filho do chefe da tribo
Viviam na África, mas chamava apenas de lar
Os brancos que deram esse nome
Um dia lhe prenderam, colocado a ferros
Transladaram em coerção para o Brasil
Trabalhou à força e morreu antes dos 15 anos...

Era uma mulher, foi à rua com suas saias até as botas
As amigas queriam votar, ela também
Acusadas de quererem ser iguais aos homens
A polícia as trancafiou em coerção nos seus porões
Voltou às ruas, impediram-na de trabalhar
Morreu tossindo antes do Inverno passar...

Era um homem que gostava de outros homens
Até se vestia, em ocasiões especiais, como as mulheres
Sentia-se como uma, era especial e perfeita como todas
Saía às ruas para esquecer da opressão e sorrir
Numa esquina obtusa e um carro de vidros fechados
Foi amordaçada em coerção, usada e abusada,
Encontraram seu corpo em um rio anos depois...

Uma menina negra que só queria estudar...
Uma outra, que apenas sentou em um outro lugar do ônibus...
Uma mulher que só queria viver livre... (assim como tantas, dia após dia)...

Um outro homem queria pagar as contas de sua vida
E dar de comer aos filhos
Trabalhava em máquinas pesadas que soltavam fumaça demais
Achou que seu trabalho valia mais que o salário
Achou que poderia descansar aos fins de semana
Foi levado em coerção para os fundos de uma fábrica
E mais uma família foi impedida de sustento...

Um velho que lutou pra sobreviver desde sempre
Da fome, da ditadura, das crises e desemprego
Que ousou ensinar como viver melhor
No meio de tanta proibição, restrição, freio, limitação, repressão, censura e impedimento
Foi constrangido, em holofotes,
A seguir em coerção 200 homens armados...

Desde sempre, a coerção tem um lado
E também, o sangue derramado ...













Foto: Mídia NINJA