sexta-feira, dezembro 14, 2007

radioativo

acredita em mim
quando digo
que não quero machucar
ninguém que esteja aqui
ou em qualquer lugar

eu não durmo só de pensar
que mais alguém que toco
se deixou mergulhar
na minha rede que traz
ruína e maldições
da minha pele velha
e rusga de sensações

sem colete
nao se aproximem de mim
eu sou radioativo
e a solidão é meu fim

desculpa

eu continuo fazendo mal as pessoas perto de mim
como um lobo acorrentado contra a parede
me bato de lado, me arrebento
pra ver se escapo
desse destino me dado
de magoar a quem me toca
de destruir o que me ama
de destroçar o que amo de volta
eu corro pra lá
corro pra cá
tento evitar
falo até em mudar
mas o espelho não mente
essas lágrimas não mentem
essa úlcera no estômago
segue corrosiva
e coerente
sempre
e sempre
eu faço mal aos
que , in-
felizmente,
estão perto de mim

quarta-feira, novembro 28, 2007

sobre "de uns tempos pra cá" do chico césar

o que foi isso?
esse raio que veio do chão
direto das esquinas
vento da esquerda, do nordeste
vento suave, estridente
recompensador, preto
saltitante, triste e feliz
aquele que te toma de assalto
pega no colo
e no meio do passeio
te pergunta meio tímido:
está pronto para continuar?
e vc embasbacado reflete então
meus pés estão fora do chão
flutuante... lindo
genial!!!!!!

eu queria que as pessoas ouvissem essas
mesmas trombetas quando entrassem no céu
pois essa música é suficiente pra escurecer a cena
enebriar o ambiente ao ponto bom
em que não se enxergam mais as diferenças entre as pessoas
os negros, os amarelos, vermelhos...
só se sabe que estão todos lá

que esse som faça isso
que rache o concreto conceito
pré-fabricado
para a muralha da burrice
dos que estranham a sua pele, o seu cabelo
o sexo, a força e mais que tudo, a sua felicidade!

eu? apenas ouço e levito
me pegue e me leve por aí
peço quando aperto o play...
... de novo e de novo


-> ouvindo "Templo" do chico césar:

"eu me derreto suave
neve no vulcão...
eu me desmancho suave
nuvem no avião"

quinta-feira, novembro 15, 2007

pouco doce

agora um pouco de alegria
eu ouvi seu nome
mas fingi que nem escutei
segui rindo até esquecer
o nosso não dito
e agora caminhando ao esquecido

então me reforçaram a idéia
de que solidão a dois se compra
em qualquer esquina
mas eis que chego em casa
e encontro uma flor
para minha alegria
só sorrisos e boas lembranças
só deboches e vida
só a coisa mais linda
minha gostosa e pequena menina

sexta-feira, novembro 09, 2007

questão de pele

hoje eu vomitei os risos que vc me deu
no alto do seu sono
foi tão má com os outros
que só tem um pecado
não exigirem no sangue de seus assassinos
um atestado de bom comportamento
por mais 200 anos
vamos ver se escravizados por tanto tempo
vocês não passam a achar de fato
que é feio ter nariz alongado
o cabelo liso ser símbolo de mal cuidado
e sujo e fedido é seu cheiro de branco nausebundo
queria ver como seria para vocês
se sentir com tantos olhos por cima de seus ombros
e qualquer riso mais largo
as pessoas te confudirem com malandro
que vive do roubado
queria muito que vocês sentissem na pele o que é ouvir
da boca de quem ama palavras que usavam
para manter seus pais acorrentados
passar pelas construções saber quem de fato
levantou tijolo por tijolo
pedaço por pedaço
e não pode nem subir pelo elevador
- entrada dos fundos para o senhor!
- mas eu moro aqui!
queria q vcs por algum momento
andassem na rua com medo
de assustar os outros
com a aproximação de seus passos
pelo simples ato de andar a passos decididos
por que oprimido resoluto
assusta por medo de ser vingativo
eu digo assim:
tente dizimar todo um continente
destruir suas raízes
lhe xingar e maltratar
até que ele também acredite
que ser inferior é questão de pele
só então estarem quites
só então haverá redenção...

isso por que nem falei das mulheres ainda
e nem dos vários sexuados!!!!

quinta-feira, novembro 08, 2007

a poucos passos

quando olhar para mim
vê se recorre algum bem
vê se socorre
de quem só te quis sem-
-precavida para a vida
sorridente e feliz

lembre-se dessas palavras
vieram de dentro
e por último me desafogou
por inteiro

antes que as dobras do destino
passem em mim, folha
como bolinha de diversão dos meninos
no pátio da escola

e perto de mais uma vez em sonoro pidão
me render
da frustração
que é querer, não poder e ter que aguentar
a desilusão

aforismos 5

a maior felicidade que um Homem pode encontrar nesse planeta é o alívio entre as chibatadas da vida...

sábado, novembro 03, 2007

armas e rosas

publicar escravidões e aconchegos
denunciar tanto os jornais
quanto os seus donos
vender a alma
e botar a mãe deles no meio

fazer carinho na morena
e dar porrada na polícia
correr em cada esquina
por roubar uma flor pra menina
e ter lata de grafite na muchila

não dormir a noite por falta de carinho
deitar sozinho
num chão de cela culpado
apertar o peito em dor
de fumaça de cigarro
mas também pelo amor bichinho negado

temer a morte violenta e assassina das ruas
mas cantar medroso e baixinho
da mesma quando vem lenta e gradual solitária

cuspir sangue de fome
e secar a lágrima em lenço perfumado
ouvir um bolero e se sentir apaixonado
e tirar a camisa e gritar em pleno vulcão
peito de aço e coldre: viva a revolução

assistindo forrest gump (39ª vez)

eu passeio por aí
os mesmos cantos
com mesmos passos
até as pessoas que encontro por acaso
estão na mesma

mentiras podres no teto
e eu marmanjo de barba feita
assustado e preocupado
seremos todos derrotados?

seria eu um intruso nestes contos
o que seria de mim sem a palavra mundo?
um ator sem teatro
um choro copioso sem lágrimas

mesmo que me faça cair
toda vez que vejo a jenny morrer
eu rio quando o forrest
pisa na merda
me arrepia a mudança dos byrds
e eu alucino com suas ervas

obrigatório,
obrigatório!
e palmas para as penas
sentidas pelo tanto afora.



ouvindo "turn turn turn" dos the byrds

terça-feira, outubro 30, 2007

labirintos de corredores infinitos

vigie com um olhar
e o outro mantenha aqui
não há porque roubar
o que já lhe trouxe
não há porque achar
que já não te dou o bastante
ô espécie sem saída
incuráveis sem toxina
ou romances de novela
ou até amores da cadeia
as meninas continuam
só levando salgadinhos
para as festas
as mães continuam
mandando suas crias
fecharem as pernas
as mulheres continuam
fingindo e se tornando
as melhores atrizes
seguem todas
nestas mesmas histórias
de heroínas e meretrizes
e de cada ação,
muro a muro construído
vão se tornando labirintos
de corredores infinitos

segunda-feira, outubro 29, 2007

nova realidade

possível que
nas suas mais nuas fantasias
houvesse de fato
e havia!
quem declarasse
temor quanto aquilo

mais tarde porém
em seus corações caipiras
desdenhando o ato
que lhes cabia
dissessem:
nada é mais verdadeiro que isto

jovens em disfunção com o mundo
rolhas nos corpos pra não deixar
suas almas escapulirem
e diante de tal emenda
outorgada na constituição divina
eles se abraçassem e cantassem
nosso coral de refugiados
presos nestes corpos densos e pesados
panelas de pressão ambulantes

domingo, outubro 28, 2007

sonhos de mendigo

4 da manhã
e um louco me pára o sono
no meio da rua
cambaleante
Quixote grita
aos faróis dos carros destemidos
com bafo de vinho doce
e coração de menino
lhe acusaram de escandaloso
ele só estava tentando
evitar pegar cancêr
lembrava volta e meia da árvore
e do cisto que a comeu por dentro.
Enquanto que por fora
todos correm e se apressam
de suas fronteiras
entricheiradas de medo
para apontar o dedo ao novo
e vislumbrar desmaio
do ridículo que é
esse garoto e seus sonhos
de mendigo

mordido (de mosqutos)

Na verdade, tantas vezes gritei
que ensurdeci até quem me ouvia
esmurrei portas quando passava por elas
elas ricocheteavam na parede e me trancavam
talvez mesmo só sinta falta
daquilo que já não mais tenho
mas nada me faz esquecer
que sim! existe o bom
e há sorrisos colgates genuínos
Tudo apodrece e a vida triunfa após isso
as flores murcham com banhos d´água
e as crianças não saem da frente da TV
Essa semana dar um ombro para amigo mala
e esquecer quando tentei cessar
o fluxo de idéias mortais na minha cabeça
Preso no alto da escada
sem conseguir descer
sem pregos pra pendurar
um novo clássico retrato
do que eu deveria ser
ter feito, mostrado, construído
mas meus braços cansados
não conseguem nem dar conta
da coceira nas costas e dos mosquitos

quinta-feira, outubro 25, 2007

severa vida

severa vida,
se venera a vida
e ver a vida
não haverá vida
não verá...

mas se vida virá
e de vida se ver
será vida
ainda que severa
será vida


"E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida)."
---
JOÃO CABRAL DE MELO NETO, VIDA E MORTE SEVERINA

quinta-feira, outubro 18, 2007

eu vejo chegando

o vento vai me ter
até meu despertar
eu sinto que em breve
vou encontrar
minha menina
trazida pelas
bordas do tempo
numa jangada florida
ela e eu agora no firmamento
tudo mais é nosso
universo e espaço-continuommmmmmmmmmmm.......................................

meninices

a mente é aguçada
mas o coração pouco desenvolvido
me machuco como criança
chego em casa com o joelho
esfolado e ardido

aforismos 4

não se assuste com tantos jovens se matando
estão tão cansados dos mesmos caminhos de seus pais

melhor é impossível

sabe? não é crime ser feliz
não é pecado sorrir
há quem ache ou cisme
e por um triz
não consegue se divertir
mesmo quem tem medo e foge
sabe no fundo
que o dia perfeito é hoje
para fazer as pazes com o mundo

e os que conhecem as maldades
dos cantos nefastos
da miséria que invade
e se multiplica a cada passo
das filas que não andam
para os que precisam de órgãos doados
dos hospitais pré-túmlos
coisas que não funcionam
quando deveriam dar paz e o justo
vão todos se aliviar
com a nova descoberta
saber e encontrar
é o primeiro passo
pra resolver o problema

segunda-feira, outubro 08, 2007

olha a hora!

eu queria dormir, dormir de verdade
eu queria sumir, essa é a a minha vontade

até que o mundo mude
com a minha alma não conte
deixa estar...

eu queria dormir, dormir de verdade
eu queria acordar sem essa vontade
de que tudo mudasse a cada instante
de me sentir imundo a cada lance

eles me acham todo errado
quem me dera convencê-los
que aqui o maior pecado
é fechar os olhos
e continuar cego

esse é meu recado
colado a cuspe atrás da porta
de que adianta gritar com todos
se reagiram com medo
e ficaram surdos


a maioria das pessoas
cria um escudo pra não ver
decidem não se importar mais
ou sequer sofrer
com quem está do seu lado
me diz qual é o nome do seu vizinho?
me diz quem pode ajudar de verdade
quando se sentir sozinho?

até que o mundo mude
com a minha alma não conte
deixa estar...

eu queria dormir, dormir de verdade
eu queria acordar mas não nessa realidade

há quase um ano atrás eu escrevi isso!!

adoro a forma que vc diz: -gostosa!- para os bebês
adoro seu jeito único de andar
adoro achar que você é um milagre
gosto até de pensar que você é um presente
só está aqui pra me fazer feliz
que deus te deixou viva para a gente se gostar
e viver um com o outro
nos curando um pouco dos traumas do mundo
tenho medo de sua doença ficar degenerativa de uma vez pra outra
não sei, eu sabia que a gente ia ter uma história
mas nada me diz o fim dela
fico buscando, não sei se é porque quero diferente
mas não saberia dizer...
sei que vamos durar e vamos crescer juntos
mas algo me diz que vamos acabar e eu vou sofrer
pode ser só medo
pode ser invenção
assim como também algo diz que vamos durar
e o que é desejo?
e o que é vidência?
e estar presentes juntos um com o outro sem fim
antes de te conhecer eu pedi a deus algo imutável
algo que não se perdesse ao longo do tempo
era minha forma de pedir alguma certeza de que podia ser feliz sem esperar ser triste
engraçado lembrar disso agora....
tomara que seja, nosso sentimento
(e nossa relação)
um pelo outo
(um com o outro)

carta de suicídio do kurt cobain - pra quem nunca leu!

Para Boddah

Falando como um simplório experiente que obviamente preferiria ser um efeminado, infantil e chorão. Este bilhete deve ser fácil de entender.

Todas as advertências dadas nas aulas de punk rock ao longo dos anos, desde minha primeira introdução a, digamos assim, ética envolvendo independência e o abraçar de sua comunidade, provaram ser verdadeiras. Há muitos anos eu não venho sentindo excitação ao ouvir ou fazer música, bem como ler e escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras. Por exemplo, quando estou atrás do palco, as luzes se apagam e o ruído ensandecido da multidão começa, nada me afetava do jeito que afetava Freddie Mercury, que costumava amar, deliciar com o amor e adoração da multidão – o que é uma coisa que totalmente admiro e invejo. O fato é que não consigo enganar vocês, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo para vocês e para mim. O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo que estou me divertindo 100 por cento. Às vezes acho que eu deveria acionar um despertador antes de entrar no palco. Tentei tudo que está em meus poderes para gostar disso (e eu gosto, Deus, acreditem-me, eu gosto, mas não o suficiente). Me agrada o fato de que eu e nós atingimos e divertimos uma porção de gente. Devo ser um daqueles narcisistas que só dão valor às coisas depois que elas se vão. Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança. Em nossas últimas três turnês, tive um reconhecimento por parte de todas as pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs de nossa música, mas ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que tenho por todos. Existe o bom em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal. O triste, sensível, insatisfeito, pisciano, pequeno homem de Jesus. Por que você simplesmente não aproveita? Eu não sei! Tenho uma esposa que é uma deusa, que transpira ambição e empatia, e uma filha que me lembra demais como eu costumava ser, cheia de amor e alegria, beijando todo mundo que encontra porque todo mundo é bom e não vai fazer mal a ela. Isto me aterroriza a ponto de eu mal conseguir funcionar. Não posso suportar a idéia de Frances se tornando o triste, autodestrutivo e mórbido roqueiro que eu virei. Eu tive muito, muito mesmo, e sou grato por isso, mas desde os sete anos de idade passei a ter ódio de todos os humanos em geral. Apenas porque parece muito fácil se relacionar e ter empatia. Apenas porque eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho. Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebê errático e triste! Não tenho mais paixão, então lembrem, é melhor queimar do que se apagar aos poucos. Paz, Amor, Empatia. Kurt Cobain.Frances e Courtney, estarei em seu altar. Por favor, vá em frente, Courtney, por Frances. Pela vida dela, que vai ser tão mais feliz sem mim.EU TE AMO, EU TE AMO!

sábado, setembro 29, 2007

an(j)inha- obrigado

as palavras mais doces vieram de um anjo
sem asas mas de gestos lindos
a figura física que também não fica pra trás me disse
pelo meu jeito, e com sinceridade tamanha que acredito,
qu'eu deveria ser feliz
sou mais quando lembro dos amigos queridos que fiz na vida

obrigado amiga!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, setembro 28, 2007

hoje - 28 de setembro de 2007

...eu poderia me sentir feliz de fato com meu aniversário.
mas o próprio dia desistiu de qualquer alegria e choveu pra caramba
...eu poderia estar feliz porque passei meu niver ao lado da namorada.
mas e daí? eu pergunto, hoje o Beira-Mar casou, qualquer canalha tem uma companheira
...as pessoas que me ligaram podiam até me convencer de que o mundo é um lugar legal.
mas não conseguem nem convencer o Bush que é preciso cortar os poluentes jogados no mundo
...eu podia até nem ligar pro que as pessoas vão dizer sobre mim e meu estado recluso atual.
mas encontraram maconha perto d´um acampamento do MST e todos eles agora são traficantes
...eu podia também desistir de tudo, digo, tudo mesmo.
mas encontraram hoje uma mulher depois de oito dias, presa e viva em seu carro capotado
..eu podia ficar feliz com as dez pessoas que lembraram do meu aniversário e me parabenizaram.
mas o HAMAS disse hoje que tem 50 mil combatentes pra defender Gaza
...eu poderia marcar a data e virar um cínico total e não acreditar mais nem no amor.
mas hoje se casaram uma mulher de 82 e um homem de 24 anos
...e o mais importante do dia que eu nasci
é que descobriram finalmente hoje quem matou a Tais

quebranto

é hoje, enfim
andam de mãos dadas o terminar e começar de coisas
hoje chove canivetes, mas fez sol de rachar a cuca
e cada relâmpago é uma lembrança dos céus
um esporro neste tão desa(l)mado filho
tem os que vigiam os meus passos
que espero nunca desistam de mim
mas que todos saibam agora e pra sempre
esse foi meu último aniversário, eu sei
pelo menos como estão as coisas
a partir de agora a revolução se instaurará
e o que será de mim?
nem eu nem ninguém sabe.... aguardemos

terça-feira, setembro 25, 2007

paz- chegando lá

ando de querer visitar velhos amigos
dar velhas risadas, passear por aí
em minha própria cabeça
passo o dia deitado
não é depressão, é bucolismo
é saber da hora e sua chegada
eu ando um pouco mais sensível
e cada contato machuca um poquito mais
mas faz parte
é normal
respiro, saio do casulo que amanhã tem compromisso
só não aguento ter de fazer cara de paisagem
vou ver alguns amigos
me sentir menos sozinho
espero não passar mais mal como hoje
esperava nunca mais lembrar de coisas tristes
mas elas continuam vindo
tudo bem, um dia também achei que meu fim seria triste
eu estou alegre, apaixonado e sabendo meu caminho
com vontade de percorrê-lo, talvez o ineditismo do momento
e qualquer coisa, de vez em quando, tenho um sorriso
que me lembra como é bom estar vivo
pena achar o contrário de vez em quando

"e ela ainda me chama de amor"

countdown

Ele se pegou pensando enquanto voltava para casa que aquele era o seu último domingo. Ninguém ao certo sabe disso é o que falam por aí, mas ele sabia. Ele saberia se isso tivesse realmente mudado. Respirou e seguiu adiante, ohou para a Lua e ela estava ficanco cheia, sabia que o dia se aproximava. Iria finalmente voltar pra casa. Iria se sentir bem de novo após tantos anos. Pois quando se vive em dor o que se pede é o fim da dor e por conseguinte da vida. Ma ele acreditava em outras vidas, outros planos. sabia que esse não era o seu fim. e o seu pecado mais grave era o de não viver na sua plenitude. Mas quem pode acusá-lo? A cada tentativa era acometido dos mesmos maus que o fizeram descartar tudo que o rodiava. Veja, não era fuga. Ele simplemente cansou de tentar mudar as coisas, pois só valeria continuar por aqui se isso acontecesse. não dava mais pra fechar os olhos pros mendigos, pra miséria, pra falta de amor desse planeta subdesenvolvido, dessa lama que oprime tanto. poucos sabem o que é sentir dor física por reação a violência "natural" do mundo. ele sabia.

E sendo seu último domingo pensou: por que não? Foi tomar o tão esperado sorvete que se prometera há quase um ano, caminhou pelos lugares e quis chorar se despedindo de tudo e de todos. Viu, talvez pela última vez alguns rostos que convivera e que tinha carinho. Mas como lhes falar alguma coisa? Optou pelo silêncio. Fez uma prece sossegada em pensamento pelo bom caminho dos amados, segurou o choro e se despediu como um dia normal...

Passou a segunda pensando em desapego, querendo voltar atrás, era estranho e irônico que tinha encontrado o objetivo da vida no fim dela. Há poucas semanas de tudo acabar o universo lhe disse: essa é a sua sina, para a qual foi trazido a este plano... Mas pensou consigo mesmo: agora é tarde demais...

Fechou os olhos, virou na cama tentando dormir a espera do dia triunfal

cc>

quinta-feira, setembro 20, 2007

esses dias de silêncio aqui

ando musicando minha vida e isto dá trabalho
cansaço e dúvidas

mas...

vou conseguir! e quem vai dizer que não?

ps. faltam 8 dias apenas

segunda-feira, setembro 10, 2007

18 dias

segurem os chapéus
o vento há de querer tomar pra si
prendam as moças
os rapazes também tem as mãos leves
segurem as larvas dos vulcões
parem as tsunamis
voltem um dia que seja
e parem de brigar pelamordedeus

oro de manhã
peço em agonia
meu breve fim
e um pouco de simpatia
tenho manchas na pele
e no coração
eu sei eu vi
não saem nem com OMO
o doutor falou:
tsc tsc tsc
e são pedro emendou:
tic-tac, tic-tac

sábado, setembro 01, 2007

anormal e medo

entrementes
eles mentem
entre nós
não sei o que é pior
fingir tanta hombridade
ou cuspir tanta desgraça
um mendigo na cidade
ou um vulcão cheio de fumaça
em seus radares ouvirão em algum momento
um chamado pra que sejam
reluzentes cavalheiros
mas a resposta
não virá a galope
será silenciosa
a hora da morte
será triste e sozinha
e em último ato
buscando conforto e carinho
não terão recompensa ao abrirem os braços
secarão em agonia
nem os vermes lhe farão companhia

psiu-menino!

é chato encontrar um papel em branco
tanto pra dizer e pra preencher
crianças pra crescer
lacunas pra criar
mas deixa pra lá
agora o silêncio
vai ser a forma
mas que fiquem atentos
ao grito do conteúdo
que rasga as paredes
do cansaço
e quando não destroça
as unhas na parede
pra se sentir
ouvido e amado

lá vem o Sol

ah, enfim te vejo chegando
saiu o sol das trincheiras
e saculejou um pouco por aí
vou até a bosrda perto da curtina
para vê-lo e sorrir
pois é meu verdadeiro freio
minha mais pura janela fechada
a última barreira, enfim
e já sinto me chamando a praia:
- vem cá meu nego, vem aqui
...
mas eis que ouço
meio do sudeste
meio a contragosto
ô diabo da peste
vindo com todo o seu arsenal
caminhando e estalando
os ossos das marquises
um vento no litoral
acabando com esperanças dos moços
de jogarem seu voleyball
mas tudo bem, penso
já vi meu companheiro
e senti, mesmo que ligeiro
seu carinho e o calor dos seus dedos em mim

enganam-se

enganam-se em me censurar
me levarem até as últimas consequências
me pendurarem na cruz
e baterem até sair sangue
eu sou diferente, eu me entrego de bom agrado
se for pra fazer os OUTROS
(sempre eles)
felizes
eu me indico a culpa
a nojura e a redenção
meu pescoço salta e minhas veias clamam o corte
eu sou presa das malices alheias
das loucuras alheias
a diferença entre nós é que eu sei desse jogo
desde criança
me desiludi em contato com os outros
e meu primeiro (e ainda) ato foi a fuga
em breve, a escapulida final
travestida de mil formas
retiro meu corpo de cena
minhas vontades do picadeiro
e faço do meu cenário
a curtina de retalhos
que foram os breves momentos felizes da minha vida

27... e contando

e é isso! estamos perto não estamos?
e é difícil segurar a lágrima
é impossível acordar e não contar os dias
faltam 27...
e depois?
ontem tive um vislumbre
fiquei feliz de encarar com os olhos fechados
e caminhando sempre pra frente
mas isso q escrevo não faz sentido a ninguém
só a nois dois né velha amada?
né, companheira de todas as minhas horas desde o nascimento
confesso que tenho algum medo quando penso nisso
do seu sopro mas como eu disse:
fecho os olhos e... volto pra casa!

terça-feira, agosto 21, 2007

saudades de mãe

hoje te senti em cima de meus ombros
me pegando a mão e levando para um passeio
arrepiei, quis chorar
quase te vi sorrindo para mim
quase te vi
mas te senti
senti seu olhar em mim
e minhas buchechas encontraram as orelhas
o rostou enrugou e minhas covas apareceram

terça-feira, agosto 14, 2007

para minha irmã brenda

que um dia alguém veja a mulher em você
e não mais a menina
que você saiba demonstrar como são gostosas
as coisas boas vividas em conjunto
que sejas plena
mesmo quando fraca, quando triste
por que esses momentos chegam...
mesmo quando cruzar seu caminho
aquele rufião que vive de folias e gozações
que você viva
que a vela brilhe intensa durante todo seu percurso
que sejas uma MULHER no que isso mais profundamente existe
eu, sempre estarei olhando pra e por você
minha pequena gota de meus mais singelos desejos
desejos e vontades de simplesmente te ver bem e com saúde
há amor mais puro, minha írmã?

reza pra clarear mentes alheias ao novo

um pouco de transgressão é muito bem vinda
pra essas mentes tão limitadas
pra essas visões tão acostumadas
com a norma dita e pronunciada
o andar normal das coisas
impede as pessoas de serem felizes
um pouco de desordem
e felicidade vinda em caminhão
um pouco de bagunça e relaxamento
adeus a protocolos
seriedade
relações sem contato
que venham os abraços
os beijos
que o passional derrube a passividade

ainda sobre o show

a certeza de estar certo
é como subir no olimpo
com os pés descalços
sentir a relva
doce massagem nos pés
sublime, sublime
rumo ao cume

as pessoas que não me ouvem
merecem o meu deboche
me sorriso na cara deles
e eu sabendo:
você é um merda!

show da re-volta da monarchia

28/07/07

Ontem foi o show da RE-volta da monarchia, (tocamos enfim), me massacraram a semana toda pela minha troca de guitarra pelo violão, praticamente sentiram todas as mazelas e jogaram (minha tese) todas as inseguranças nisso. o show vem aí? será bom? eu vou tocar direito? meu pau é grande o suficiente?... e o fim da história? bati o pé, permaneci violeiro (embora um violeiro puro, sem efeitos, imagina como solei, rrsrsrsrs) e ... nós ganhamos a MELHOR (PORRA) BANDA DA NOITE. o que digo? vá tomá no cú!!!!!!!!! de novo: VÁ TOMÁ NO OLHO DO SEU CÚ!!!!!!!!!!!!! eu dou sangue pra caralho nessa banda ainda sou empareidado dessa forma? não pode! mas, paz, bruno. eu não vou ficar jogando isso na cara de ninguém. ps. minha namorada tava comigo, alguns dos meus amigos tavam comigo e foi do caralho...

sábado, agosto 11, 2007

risadas e morte da saudade

por esses dias vi minha irmã
uma tia minha riu de minhas pretensões musicais
espera que vem a galope
o show foi legal depois escrevo sobre
mortinho agora
mortinho da silva

sexta-feira, julho 27, 2007

amanhã show

amanhã tem show
podia ser melhor
podiam confiar mais em mim
e não jogar os medos todos
em cima da mudança
em cima do novo
porque vento quando vem forte
desaba primeiro as construções
mais frágeis
sendo elas mais novas ou antigas
e eu sou o que sou
sem querer passar em calo algum
não mais dos que eu precisar passar
nessas horas serei tanque russo pós stalingrado
serei bomba em hiroshima
a mão vingativa de iavé
mas até lá prego o meu sorriso no quarto
na parede das moradas
sou canditado a presidente
todo abraço e boa vontade
meu ego adormecido,
deixa ele quietinho no canto dele
que depois paciência será recompensada
e aquela voz chatinha:
- Eu te disse, não disse?????

ps. engraçado como todo esse acontecimento desviou um pouco o nervosismo pré show.
vou ficar calado, prestar atenção aos meus dedos
ouvir e ouvir....
o gigante despertará no show, eles vão ver... ou melhor ouvir depois o que as pessoas vão dizer...
pronto pra ser estrela bruno?
resposta: tem um momento na vida de um homem...

ouvindo e cantando do roberto carlos:
"Não vou mudar, esse caso não tem solução
Sou fera ferida, no corpo e na alma
E no coração"

domingo, julho 15, 2007

as pessoas estranhas

as pessoas são estranhas
reclamam da minha ausência
e esnobam minha presença
são chefes de empresas
mas dão o rabicó para traveco
querem saber da vida alheia
e fecham as curtinas
se matam de estudar
e se esquecem de viver
ignoram as coisas boas como sorvete
para não engordarem e ficam infelizes
aprendem a tocar violão
pra cantar as mesmas músicas que os outros
tem jardim em casa e não comem nada do pomar
se tem pscina no condomínio
vão a praia
as pessoas são estranhas
não dormem de noite
escrevem coisas desconexas
e querem criticar as novelas
riem das tragédias
e chamam de insensíveis quem ignora os pobres
vivem pelo instinto e se ofendem
quando chamados de animal

quinta-feira, julho 12, 2007

são tiago, o baixista

hoje teve um pouco de esperança
de alegria pelos tempos vindouros
de feixe de luz no fim do túnel
boas risadas e bons papos
foi bom e vai ser ainda melhor...

inversão de papéis

eu estou numa de inverter o posto
de desdizer o dito pelos outros
não pode? não deve?
não vai acontecer?
fique me olhando
pelas costas você vai ver
o bom senso que uso
é o meu!
o gosto que me guia
é o meu!!
o bom tom e temperamento
são os meus!!!
apenas isso, eu sou meu horizonte
com os punhos fechados
a boca cerrada
e a alma de lutas
e que venham as pedras

ps. em homengem ao meu set up: um VIOLÃO nacional marca quase desconhecida (marquês), plugado e não microfonado (um ultraje aos puristas) em um amplificador de BAIXO (que deve ser da warm music, tb risível). com as mãos de um guitarrista/violeiro e cérebro de músico brasileiro. ainda vou aparecer na capa da guitar player revirando o rock de ponta a cabeça um dia desses.

domingo, julho 08, 2007

o nome de DEUS e como me sinto (sem parênteses)

Eu (porque todos os poemas, começam com sujeito? E pior, geralmente o sujeito em primeira pessoa. Os poetas não percebem que já falando do mundo estão falando deles mesmos? Que ninguém consegue de toda maneira burlar as regras da opinião na hora de escrever? Não sabem que a cada assunto, termo, expressão, estão dizendo apenasda própria pessoa? Estou convencido que eles na verdade são muito egocêntricos, não percebem que são escravos da sua vaidade. seu orgulho é o) amo (que os obriga a repetirem como papagaios: eu, eu e eu. Taí, boa parte dos escritos seguem essa linha narcisística, quem pode me pessuadir de achar isso lendo a república do platão... ele só queria que os filósofos comandassem os outros, só isso. Toda a nossa base de raciocínio é inspirada nisso, no ego, no próprio. Talvez por isso, tenhamos chegado até aqui neste caos, em que cada um limpa sua própria bunda e dá a si mesmo os melhores presentes. Acabamos o fim do dia pensando que estamos solitários demais. deveríamos pensar mais no outro. Aquela velha pergunta que todos conhecem, se) você ( já fez algo por alguém hoje? Bastaria, na verdade sairmos um pouco do pedestal que colocamos a nós mesmos e vermos que somos um apenas mais um punhadinho pra entrar nesta sacola de grãos. Que nada se realizará senão for demasiadamete frutífero para todos ou para mais gente que apenas um. O único é solitário, é enfadonho, é mono. Em vez disso deveríamos tentar o múltiplo, loquaz, o poli, o vasto. E a medida que as coisas deveriam ter seria apenas a medida do coletivo, do bem maior a todos. como se escreve Deus diante disso tudo? de várias maneiras e de todas elas, essa é a minha resposta final)

libriano?

um olho meu tem miopia, o outro não
um braço usa relógio, o outro não
o meu coração fica no centro
mas parece bater só de um lado
eu tenho duas pernas
mas chuto com apenas uma
meu umbigo fica no meio
mas eu só durmo com ele virado pra porta (quando durmo)
uma buchecha minha tem sinal, a outra não
meu pênis e minhas opniões políticas
pendem pra esquerda
um cotovelo meu tem pinta pra dentro
o outro tem pinta pra fora
um joelho meu tem cicatriz de operação, o outro não
uma das minhas mãos tem unhas grandes, a outra não
...
... pensando bem,
só você meu amor eu uso as duas mãos, as duas pernas
todo o meu corpo e inteligência, pra tocar....
você e a viola

é...., complicado!

mentecaptos e godizilas
destroçam todas as almas
destroçam e corroem
chupam até o caroço
confesso- estou me sentindo meio afrontado hoje
derramo aqui o meu ácido
pra não manchar as roupas dos outros
não há OMO que lave esse meu ranço
acho em dias assim que
não há embriaguês suficiente no mundo
não há também suficiente diversão que me faça
escapulir pelas bordas do meu descontentamento
vamos lá, etapa um: respire e respire
solte os cachorros em cima dessa máquina
escreva aqui aquele "filho-da-puta" que você queria xingar
depois relaxe e comece a montar
sua armadura e máscara
comece pelo sorriso, ele nunca pode falhar
você não vai querer, desmanchar seu disfarce logo de cara
depois, as roupas...
a mensagem é a seguinte: eu sou cool e limpinho!
peça desculpas a sua alma e crave nela a espada final
a jaula das suas manias, os silêncios de si mesmo
e ria, ria de todos os assuntos
como um palhaço bobo
que até depois do enterro da mãe
tem que fazer os outros rirem com ele
pelo menos eu apenas sou mais um dessa orquestra e não solista
meus braços e minha mão são pouco notados
e eu gosto assim
para não ficar muito evidente as minhas trapaças
os meus medos e fobias
então, que se fodam os solistas

melô do homem-borracha

estica e puxa e ninguém nota seu rebolado
pra dar conta de tantos chamados
pra não parecer pras pessoas
como está despedaçado
e elas ainda atiram pedras
e elas ainda buscam suas vísceras
bebem do seu sangue novo
e são incapazes de receberem um não
puxam daqui, puxam acolá
e sorriem durante o ato
esse processo nufesto
e sincero
eles gostam de você
só não deixe encostarem muito
são todos esponja
sugam e sugam
pedem, mendigos de atenção, um carinho
mal sabem que carinho não se mede
não se negocia
se não for de bom agrado e espontâneo...
é farsa
ou melhor, é farsarinho

domingo, julho 01, 2007

genética paterna

eu tenho uma pinta num lugar secreto que só cinco mulheres viram
e apenas três hão de lembrar
tem coisas sobre mim que ninguém sabe
tem dias que me machuca um sorriso de um mendigo por um resto de comida que eu dei
as vezes eu gostaria de não estar mais vivo por momentos tristes que passei
me lembro todo dia de coisas que me pertubam, agulhadas na alma é como chamo
chega a doer a cabeça de desespero
eu tenho uma queda por travestis
eu chorei no enterro da minha mãe, mas acho que não vou do meu pai
tenho medo que minha irmã se torne apenas e mais uma mulherzinha neste mundo
eu fujo dos meus amigos pra não demonstrar fraqueza
eu suo de nervosismo de pensar no futuro, faltam apenas dois meses amada
meu caso mais velho é com a tristeza.... tenho medos a noite de fantasmas e de sensações
as vezes eu choro escondido viajando em cenas de morte
eu tenho cáries
comprei uma viola pra não tocar mais guitarra
já escrevi um livro que se perdeu
já inventei histórias que morreram
mas é no final do dia, por volta dessa hora que por mais que eu ande
por mais que eu corra, por mais que eu finte meu drible mágico e secreto
me vem derradeiramente essa certeza
mais uma vez sozinho e perecível
escrever aqui me impede de ficar louco
(ou pelo menos é o que acho, lutando contra a genética do lado paterno)

quinta-feira, junho 21, 2007

cruzadas da alma (entre pessoas)

Tanto eu fiz...

já busquei água com a perna quebrada
queimei os dedos em tentativa de resgate
enguli a mim mesmo morrendo em silêncio
renunciei os prazeres da carne

vesti armaduras desconfortáveis
senti frio a noite sem lençol
acordei e comi sem fome
corri e suei em vão

ri das mesmas velhas histórias
respirei quando fui xingado
e quando me botaram no pau de arara
não traí nenhum dos meus amados

para quê?
só sabem reclamar minha ausência
apontar minhas deficiências
a magoar quem não devia ser magoado

tanto eu fiz...

previsão do tempo

Você se esquiva o dia todo. pensa em adotar gatinhas, olha para o outro lado, fecha os olhos em traillers de filmes de terror. pensa em histórias tristes, foge de casa e se esconde em seu casulo. come sem subterfúgio. escala paredes e senta, escolheu a sua caverna. seu trono nesta escuridão. uma parte de mim quer matar todas as outras... coisas que se mexem perecem, todos merecem ser buscados pela írmã encantadora do Sandman...

Por que este não nos pega a todos, como esse puto me rejeita e como eu quero vingança. a ignorância me deixou aqui preso, sem vontade ou com tantas que não posso simplesmente sair por aí eliminando e concretizando ("fullfilizando").

Meu ego é vítima da peste, essa que todos os humanos espalham. são todos ventiladores da mentira, do ódio, do cinismo, da solidão e rejeição. desabam dessasbores a cada passo e me vejo aqui querendo colo e ficar sozinho. não gosto que ninguém tenha pena de mim. NÃO GOSTO! fico tão envergonhado por me sentir tão fraco que cometo um pecado, me finjo de forte e rio de todos nós desgraçados.

Pessoas que a maldição cruzara seus destinos. pessoas que tem aquele olhar. é desespero. e depois? fuga. ratos fugidios à noite. meninos que mal saíram das fraldas. mais uma vez: - ô vida desgraçada!

Sintamos a vida, pensemos as razões. por que tudo isso? se são transformados em desprazeres e lamentos. meu terno guardado por pós e baratas. minha melhor cara, escondida. meu tesouro no cofre dentro de um baú. e minha vida e pensamentos corrosivos são líquido descendo ao monte... e descendo aos montes. qual a previsão do fim de semana? piora e piora. mais chuva mal recebida enquanto lembro outras vezes de quando fez meus olhos ficarem molhados

quarta-feira, junho 13, 2007

no hay banda

acordo com uma dor no pescoço de chorar, por causa dessa incômoda filha da puta, não consegui dormir direito. de noite tive sonhos de fezes e menino sem braço. estranho. olho pela janela, penso: finalmente um belo dia no Rio. as nuvens se dissiparam, hoje é dia dos namorados, eu vou ver minha gatinha logo mais. então pra que mal humor?

exceto pelo fato de que dormi nem três horas antes e que fui acordado pelo telefone...
não me dei por vencido, esse velho tigre já enfretara batalhas antes. homens mais sábios e destros tentaram arrancar meu couro e eu estou aqui, eles não.
toco a música que fiz para a amada, me diverto com suas pequenas bobagens, dou um desconto de tanto ranço, abro os braços e digo: venha o dia.

saio de casa, compro carinhos, pensando em shows da semana. pensando em minha mais recente descoberta violonística. enfrento filas com paciência de Jó. hoje eu não vou me render... foda-se a conta que tinha de pagar, as compras de supermercado que tinha de fazer... eu vou viver um pouco por hoje.

esqueço do meu saldo e saio por aí galopando minha felicidade. lembro que há um ano foi o começo do fim, eu em tanto carinho e outra acenando em tchau pra mim. mas balanço a cabeça e bola pra frente... em boa companhia me esqueço de tudo, ela me alivia, me faz sorrir, só rir...
e eu apaixonado abençoo a vida. obrigado deus por estar vivo...

de noite chego em casa e descubro que meu presente, um dvd, não roda... tdo bem é só trocar, minha princesa me faz esquecer disso também... releio um livro no meio da rua, envengonhado e puto... me chamaram de viado e riram de mim... enquanto espero minha cherry, fecho os olhos para o mundo: venha vida mas venha devagar, please.

saimos, mais momentos de pura e infinita felicidade, a deixo em casa e volto solitário pra casa. algo insiste ao longo do dia inteiro em me deprimir, me chamando de volta a terra. volto de metrô e penso em minha morte. viajo em poder dizer adeus aos queridos. viajo em contos tristes passados. tento mesmo fugir disso. penso nos shows lindos que fui, mas não consigo...
saio da estação e passso pela farmácia onde comprei fraldas com uma fantasma há quase um ano... pára de pensar nisso bruno!!!!!!!!!

o onibus demora a passar e quando chega o motorista acha que eu em pé esperando o troco sou uma espécie de bandido assaltando e fazendo mal à trocadora. quando vou descer do ônibus em meu ponto o sujeito arranca com tudo, atropelando meu cotovelo... penso: isso vai ficar roxo, mas foda-se hoje eu vivi com minha ninfa um dia feliz. chego em casa vejo vestígios de festa, drama e tristeza no prédio, algumas histórias acabam mal, tadinhas das pessoas que as vivem.

entro no meu quarto ligo o computer, penso em comer antes de ligar pra namorada. enquanto como rio de felicidade pelo dia, pelas lembranças, entro na internet e vem a bomba:

extra extra, no hay mais banda,
o último que sair apaga a luz, o baixista ausente se retira de vez
..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
preciso de um analista




pensando em duas músicas:

"calma tudo está em calma
deixe que o beijo dure
deixe que o tempo cure" - do moska


e

"diz quem é maior que o amor..." los hermanos

e enquanto escrevia veio também:

"this is what you get when mess with us
for a minute there i lost myself" - do radiohead

terça-feira, junho 05, 2007

cenas do dia

3 da manhã. a cabeça explodindo. acabei de tomar uma aspirina. parem pensamentos, a medicina mandou, vcs tem de ouvir. hj acordei com uma ansiedade de não sei o quê... os olhos não paravam, a boca secava, os braços queriam fugr da coberta e enfrentar o frio. queria gritar, mas estava com preguiça. tava mui frio (e eu merecia descansar um dia pelo menos) para ir ao banco. de manhã a missão: faça um favor a namorada, acordado antes por um anuncio no telefone (maldito itaú). redação em uma hora e meia. me lembrei que eu gosto de escrever. saiu tão naturalmente as palavras. quindins escorregadios. mais tarde a bomba. amigo está com uma nuvem preta sob a cabeça. pé de pato nele, gente. e no alto do desespero eu e mais um somos os que sobramos. empatia filha da puta me senti um pouco mal pelo meu cinismo costumaz. e sincero sentimento de amizade e preocupação surgiram. corta para alguma baixa de esperança com a desordem e desencontros. da facilidade com que se deixam coisas importantes se tornarem trivias e esquecíveis. sobe a esperança pela voz da namorada e histórias de piratas. desce um pouquinho de novo pelo descaso com que meus convites e intenções foram tratados pela amiga. sobe um pouquinho de novo pela namorada...
mas tudo desaba diante dessa dor de cabeça federal
eu realmente preciso fazer outros óculos
isso vai custar uma grana
e eu já gastei tanto dinheiro por esses dias
mas venho protelando isso há tanto tempo
já nao dá mais
ai, maldita cabeça pára de doer
PORRA!!!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, maio 24, 2007

o nome do dia é saudade

o nome do dia é saudade
tentei realmente andar como se fosse nada
como se reconhecesse o caminho
essa longa caminhada
mas não, mesmo que eu conheça
todos os monstros deste caminho
que eu saiba, todos os percalços que vou passar
não encontro mais coragem sigo sozinho
resignado e como aquela canção diz "tenho que chorar"
tenho que escrever mil vezes em você
te amo, não me abandone
não me bote ou deixe pra trás
essa velha carcaça cansou de ser abandonada
e ainda incomoda tanto este último ato
tento pensar o porque?
tento chegar a verdades definitivas
mas hoje é só lamento e silêncio
meu voto por fuga
até que resisti bravamente
mau humor, impaciência e desespero
turitas abrindo o berreiro
autoctones criando uma balbúrdia
pelo melhor que pude comprovar estou melhor sozinho
digo isso porque você não está aqui
não é a quantidade de tempo, é a distância
você fazendo das suas e eu lidando com as minhas coisas
atualmente é só medo
medo do seu vício de sabotar felicidade
para continuar vivo
e reclamando calamidades

rasteiro

dessa vez é direto
é um soco certeiro
um job que leva a nocaute
um tiro direto no peito
meus aviões em voo rasante
minhas preces e comoções
tamanho tumulto
e os choros das mães
mas nada disso vai parar a revolução
pegue em armas já é a revolução
seja qual for a sua munição
seja qual for seu emprego
não sobrarão homens ou mulheres
filhos deste tempo
em que se rouba a alma dos puros
em que se desvia verbas no escuro
mas sabe de que adianta tanta vontade
se não sabes mesmo para onde ir?
se a pistola que tens é a mesma do seu pai?
se todos tem mesmo que fingir

chorei... hermanos

os órfãos se agarram em qualquer braço mais carnudo. em qualquer abraço mais confortável. hoje tava lendo um depoimento num blog sobre o fim de uma banda que amo... e chorei. pois é, só faltam umas duas semanas e meu calo já começou a apertar desde já. tinha antes feito meu dever de casa: comprei o ingresso, li as notícias e esperei pensando "um dia eles voltam". sem muita tristeza. os rompimentos fazem parte da vida e é bom já irem se acostumando ouviram? mas meu pensamento que tem asas e vai longe, já foi ao show, hoje pela primeira vez caiu a ficha. eu vou ao último show da minha banda favorita. algo mais perto de ídolo que tenho nestes dias tão cínicos. algo de verdadeiro que sinto por alguém ou algo. passando por cima de toda minha teimosia, meu castelo e minhas paredes. tudo que minha orfandade me restringiu eu conseguia de alguma forma tosca e bisonha encontrar em quatro marmanjos, seres barbados e musicais, mas agora... acabou. serão tres shows e eu vou no derradeiro... se hoje já chorei quem sabe o que será de mim neste dia? estaremos todos mais órfãos deste dia em diante...

quarta-feira, maio 09, 2007

a arte de se reinventar

é isso, passo umas duas semanas afastado reclamando da falta de assunto, tentando resolver os antigos marasmos, colher das mesmas ondas, e servir o mesmo café frio. isso que vem e que fica. chego aqui, fico com medo de me repetir, de escrever sem alma, sem vontade, rejeito qualquer esboço de quadro já pintado. rio dos meus fantasmas presos no sótão da cuca e soltos de madrugada quando não consigo dormir.
minha tia vem se chega e pergunta porque não durmo de noite e trabalho de dia. eu respondo que não é uma escolha. a gabriela nasceu assim e....
ela me corta e rindo diz que eu que decidi isso, é fruto da minha cabeça inverossímil com a realidade. eu que gosto de ficar sem camisa no inverno e me trancar nos verões dentro do quarto. eu adoro nadar contra (balbuciar contra então...), eu cismei que isso é minha autenticidade e agarrei como fator de personalidade
eu digo: é preciso ser um pouco rocha neste mundo. é preciso ser firme também.
sempre falei e repito pra TODOS ouvirem:
eu quero ser normal e me sentir bem aqui...
mas essa é uma questão além da simples escolha, por mais que eu escamoteie meus sentimentos!!!!!!!!!!!

terça-feira, abril 17, 2007

mito da parede

começou com um silêncio
apenas um som engolido
ligeiramente preso na garganta
por medo de chegar aos ouvidos
uma pausa, um seminima nesta orquestra
meu naipe de sopros perdeu o fôlego
e pediu as contas
ao longo dos dias o silêncio virou missão
a pausa virou sinfonia
e o ato foi ficando cada vez mais despercebido
como o bater de asas do beija-flor
que ninguém vê
sou eu a parede
o imutável
o cimento que descasca por dentro
o rio envenenado
o estouro de touros no pantanal
e os vícios dos médicos
é o que ninguém vê mas está sempre lá
o silêncio tomou o corpo, o corpo parou
a mente só sabia dizer:
- o que posso eu fazer?
e o corpo parou...

quinta-feira, abril 12, 2007

a salvação é chamar o RAUL

coisas leves e frugais
sons de lamparinas
e cachorro quente
encher a boca de pipoca e rir
ha ha ha ha
meticulosamente
atirando baba pra todo lado
dizem que somos nós que criamos nosso próprio câncer
por bem ou por mal
agora vomito todos os meus dissabores em vida
"ah, a conta do telefone chegou?
só um minutinho deixa eu ir no banheiro?
(aponto o dedo e...RAUL)"

praga de zé do caixão

ai, os meus mancebos
jogados fora pelo ralo
vão meninos
sem povoar o mundo please
ando numa de fumar cigarros
claro forçado dos vizinhos
porque esse cheiro eu não aguento
é veneno e vinho
malfadado
a descer para os testículos

quarta-feira, abril 11, 2007

velha amiga se aproxima

realmente tô precisando gritar um foda-se hoje
sozinho de novo, sozinho de novo
ouço em coral as crianças apontado pro ser estranho e choroso
joguem pedra na geni ela é boa de cuspir mesmo
eu já desejei um aneurisma... agora já posso dormir
...
ah bruno deixa de ser veadinho, tudo isso é o que? a chuva? o escuro do quarto? a casa vazia? a falta de emprego? o silêncio? a namorada ocupada? o medo de admitir pra si mesmo acabou... não adianta mais... tudo em vão? não é medo, é PAVOR

é senhores... eu lhes digo... é apenas um muleque chorão, virem essa página

aforismos 3

o que me incomoda é este eterno ato de acomodar sonhos, ferir a si mesmo, pra continuar vivendo!!!!

no future

eu sento em frente ao meu juízo e rio de sacarsmo
rio de nervoso também
o primeiro pelos meus tendões convulsionados
quer me fuder? o que mais podes fazer?
o nervoso vem em seguida... é medo do que mais podem fazer comigo

ando esses dias com pavor, te entendo agora Li, síndrome do pânico. tão voltando todas as minhas fobias: limpeza, sexo, insônia, depressão, falar sozinho e escrever neste blog.

minhas conversas são recheadas de pensamentos mórbidos... "e se agora eu morresse? isso realmente faria diferença?"

minhas costas doem de preocupação... e é vexaminoso sentir o olhar de preocupação dos entes queridos... "aceita, Bruno"

pra resumir: me sentindo um merda... e sem poesia!!!!!!!!!

ouvindo: "he is a real nowhere man.... isn´t he a bit like you and me?"

sexta-feira, abril 06, 2007

paul sobre elvis

"sempre achei que o serviço militar foi a ruína de elvis. gostávamos da liberdade do elvis caminhoneiro, do sujeito de jeans que girava os quadris, mas não gostamos de vê-lo no exército, usando cabelo a escovinha e chamanodo todo mundo de senhor. parecia que tinha entrado para o Sistema, e depois daquilo os dicos dele já não eram tão bons....ficamos muito decepcionados e nunca achamos que elvis voltaria a forma. então foi fazer cinema e concluimos que ele tinha ido para o beleléu"

um p.s.

esse é um pedacinho da minha alma que te descolo
meu ser leproso e bem intencionado
quer deitar em seu colo
meu carinho apaixonado
e minha aúrea é púrpura
de sabedoria e paixão
de saber de você e das coisas
do nosso viver e de tantas outras
de gostar em correios como esse
me entregar em pedacinhos aos poucos
é assim, você me ganha de passo em passo
e eu com medo, me gamo de muito em muito
dizendo de um jeito bem novo e descolado
te amo e te amo muito!

aforismos 2

os homens nús estão bem vestidos quando cortam o pênis fora
e as mulheres nuas estão bem vestidas quando abrem suas pernas
e só!

quinta-feira, abril 05, 2007

acidente (para fabrício e outros interessados no cú alheio)

foi assim,
meu pé de quê encontrou um buraco
meu calcanhar de aquiles afundou na poça
minha batata-frita com canela bateu na quina
e minha coxa nem tão sadia pendeu para o lado
meu joelho morreu e virou presunto
minha pélvis não era mais o (vulgo) Rei
a bunda já não tinha bandas
e o olho de baixo eu dei (e dei gostoso)
o umbigo já há muito
não era mais o centro do meu mundo
o bucho só andava de bode por aí
preocupado com as costas castas
o peito afroxou o nó e convulsionou com o ar
a garganta secou os dizeres
o ombro estreitou em asas
meu queixo levitou em admiração
e minha boca de fumo era a mais movimentada
meu nariz desistiu de ser ponta
meus olhos saíram do meio do furacão
minha testa nunca foi de buceta
ou minhas perucas foram ladies
o cabelo é todo meu porra!
...
e por dentro ainda pior,
minha alma desistiu de ser imortal
meu sangue só opera no negativo
minha baba empresto às moças
meu gozo não é personagem dos muppets
minha foda é a vida
meu castelo é menos que areia, é papel molhado
meus vícios me mantem afastado da lucidez
e a loucura, minha amiga de velhas datas,
assume meu cotidiano
e de tudo isso e mais um pouco
posso dizer
sorria você não está sendo filmado
afinal, ninguém se importa com você
desculpas meu deus, afinal
quem mandou me fazer tão debochado?

terça-feira, março 27, 2007

isso lá é música?

Tem tanta coisa mais importante que isso. mas me botam contra a parede e reajo. por que será que um indivíduo algum dia achou maneiro ouvir funk no rádio? Quer falar uma monte de abobrinha? RAP. Quer dançar uma monte de abobrinha? HIP-HOP. Quer esquecer de todo mundo? XOTE. E é assim, consuma essa música escrota que de uma hora para outra vira
(inflada em todos os canais da tv) o supra sumo da quinta essência. Eu tô cansado de ser exprimido meu gosto não apreciado.
Tá foda de conseguir ouvir aqui no Rio alguma rádio e aqui nasceu o samba, o choro. Foi o palco da bossa e do rock, mas de um dia para outro você liga o som e só toca sertanejo, pagode e hip-hop; quer que eles engulam qualquer merda quando você fala? Fale rápido como num rap.
Te convidam para a festa e você fica no canto pensando: são todos macacos de circo, você fica com raiva de doer a bílis quando eles imitam até as coreografias dos clipes. Todos te chamam de maluco, de estranho, só por que para curtir uma dança você tem que apreciar também o que está tocando ou então, você desiste. arma a carapuça, bota a máscara e finge. Dança, dança e dança e volta a comprar os convites:
- Bem-vindo ser normal. bem vindo a nossa patota- agora sim, fingindo você pode ficar com as meninas.
E não é preconceito de cor, ou não querer dançar. Não há como ficar parado com jorge ben jor, james brown ou a sandra de sá >>> sem esquecer que o samba, choro e o rock nasceram de mãos pretas e pobres!!!!!!!!

sábado, março 24, 2007

o homem nú

teu rosto aponta mas não dissolve
esses velhos cachos que te consomem
essa uva, essa fruta apodrecida
e esse cântico de louvor aos velhos frustrados
tú eras e já era
passou sua hora
vestiu-se de túmulo e andou descalço pela abbey road
mas que fiasco
uma vida desperdiçada em ilusões
tentativas de se desprender
e apenas tentativas
mas na hora do vamos ver
fugiu pelas beiradas caiu da encosta
e se trancou em silêncio
no escuro o homem nú chora
fecha a porta e ninguém o procura

previsões para o ano

um ano bom. um ano ruim
um ano a mais e só isso
só os mesmos medos
mesmas paixões
queria passar o ano sem tentar me suicidar
sem chorar o fim de uma coisa boa
sem me desgastar tanto com quem amo
e o que será desse ano?
um corno talvez
muitos beijos
será que colho enfim meu sonho
de guitarradas vou abrindo espaço
por essa mata fechada e confusa
e o que será de mim e da minha menina?
e de mim e da minha amiga?
será que terei algo da minha mais nada?
mas de tudo enfim, será que serei até o ano que vem?
os roqueiros morrem aos 27
e eu tenho visões também Raven

terça-feira, março 06, 2007

todo músico é vagabundo(?) mas nem todo vagabundo é músico

demorou tanto pra chegar aqui
desde a tarde venho pensando em pousar mais uma vez
neste canto solitário da minha vida
depositar neste ninho um pouco do meu chumbo radioativo
xingar as censuras de pessoas mal amadas
minha impaciência comigo mesmo por não achar uma folha
meu medo de morrer sozinho e esquecido na minha própria mente
um atritinho com a namorada
ou zangas normais por viver nesta terra arenosa e seca
mas não,
digo o que quero e agora quero sentir música
ou melhor, ser música
assim que me sinto abraçado e preenchido
é comfortável
é como deus expressa carinho
bater no peito e dizer: - eu sou músico
eventualmente eu escrevo também, logo sou escritor mas
primordialmente sou músico
é o que eles dizem, se você acorda e pensa naquilo e indenpendentemente do que as pessoas vão achar você vai continuar fazendo aquilo, então é isso que você é
e é isso o que você quer
é o que quero
e mais importante é o que sou
músico
e foda-se quem não gostar disso

terça-feira, fevereiro 27, 2007

futuro - apaga a luz!

ando preocupado
com um antigo amigo
me deixa acordado
o futuro invisível

esse moço que vem e que vai
de calças cumpridas e abraços alegres
essa cara de tacho e um tal
de vencer na vida se correr como lebre

esse jovem velho mancebo que vai e que vem
escorregadio, peralta e zombeteiro
muquirana, arredio e festeiro
fugidio, espivetado é o jeito
que ele tem de pregar as peças

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

tijolinho

é como correr e já sair da largada atrasado
dar dois passos atrás na linha de chegada
usar dois pesos a mais na estrada
nascer sem poder usar máscaras

sinto ser vital não ser eu mesmo
e quando o que te permite estar vivo
é justamente o que te mata por dentro?

você me fez sentir assim
um pouco de cólera
um copo de lágrimas
um medo do mundo
não se pode confiar em nada vivo

também aqui é desespero
aqui é catarro
propulsão a jato
deste aperto no peito

meus demônios não controlados
minhas vontades não vingadas
meus ódio imenso
e pensar que fui enganado

idiota daquele que pensa em conforto no seu trono
imbecil daquele que pensa em amar o escravo
as pessoas não tão preparadas para esse patamar
de confiança total e conforto nos meus braços

vê, já começo a me proteger de você
esse foi o primeiro tijolinho da minha nova muralha
te perdôo, te entendo mas não esqueço
ele vai ficar lá para me proteger

por que cansei de ser
a vítima acorrentada,
violada
e entregue aos leões

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

aforismos 1

só o Diabo sabe o Inferno que é morar no lugar onde vive

dilacerado

olha para um lado e há trabalho a fazer
crianças a educar
velhos a cuidar
adultos a aconselhar

olha para um outro e vê que a vida não consegue ser parada
que há plantas para plantar
placas dizendo proibido estacionar
casas a construir
artes a emergir
planos a se fazer
e a revolução de acontecer

olha mais adiante em busca de conforto neste caos anunciado
um colo de mãe
um sorriso de amiga
um beijo da namorada
e o sexo da esposa

caminha um passo apenas em rumo a uma sombra de uma árvore
o relógio vai tocar
o patrão vai gritar
a conta vai vencer
o registro vai estourar

e se em algum segundo respirar e olhar pra si mesmo apenas
as vozes vão gritar
os vizinhos vão xingar
a família vai te deserdar
e os filhos vão nascer

um dia eles vão te fazer uma estátua
mais um que viveu e morreu por nada
ou por tudo
diz aquela muleca
que não te deixa mais dormir
que não te deixa mais fugir
e que mesmo assim
você ainda ficaria mais semanas acordado do lado dela
só para vê-la felz

e um dia espera ela crescer
apenas para lhe dizer
vem, vem ver o mundo que contrui para você

blog ombro de guerras

e tú caro ombro?
velho de guerra
deixado de lado por prazeres outros
diversões do mundo da fantasia
onde me ludibrio e canto meu conto
onde faço rolar pedras que passam o nojo do mundo
onde as pessoas que amo me entendem
olha isso... este último foi um clássico não?
mas realmente tá foda
abro a boca e magoo a todos
fecho o bico e machuco
meu silêncio incomoda
minhas ações incomodam
meu falar perturba
e minha nulidade irrita
e óbvio preocupa
mas eu estou bem
cortando um braço pra ter de dar de comida aos meus filhos
só não aceitei ainda muito bem essa idéia
acho que nem eles...
quanto tempo se demora para digerir um braço de pai desalmado
que pouco pensou em ter os próprios filhos?

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

intangível

eu ando me sentindo tão ausente de mim mesmo
é quase como estar vivo logo após um estupro
você se distancia, respira quase fica intangível
passa a plainar por aí
em desconexão com o mundo
mal ouve o que lhe dizem
mal enxerga. e seus atos?
nem se lembra dos imediatos
tenta apenas respirar mas não consegue
qualquer pequena fraqueza e pronto tudo volta
seu pior inimigo é o tempo
o tempo que te faz lembrar
o tempo não faz esquecer das coisas
ele te faz pensar, quando para num ponto de ônibus
quando vê jovens na rua se amando
o ser humano sendo apenas ser humano...
...
...
...
por esses dias eu disse:
- o meu pai vale mais morto do que vivo.
e não senti nenhum remorso disso
vão por mim ele mereceu, ele é um escroto

blogueiros sem leitores

quer mais? fico pensando se há tantos blogueiros,
tantos escritores tendo tanto a dizer
ou como eu, dizendo tanto sem dizer nada
ou quase sempre a mesma coisa
que no meu caso é alarmante pois quase não passa dia que não escrevo
o que implica repetir todos os dias a mesma coisa
um samba de uma nota só
se de tantos mesmos dizeres
há leitores?
se há quem os lê
quem os lerá?
eu me leio e me basta mas deve ter alguém por aí
que precisa urgentemente de um leitor
e no futuro? serão todos blogueiros de suas vidas, quem lerá? se todos vão escrever?
confesso que eu mesmo não tenho muita paciência com os mesmos dizeres alheios
para os meus vejo
cada meandro, cada objetivo, cada nova derme
deste mesmo corpo mesmo se o assunto for o mesmo
mas poara os outros... bem, são todos chineses para mim
e que não venham com o politicamente correto para cima de mim que estou farto dele

terça-feira, janeiro 30, 2007

o corredor cego

então, vim até aqui e sem ter o que escrever imagino
corro minhas memórias e vou pra outro lugar
aquele é mau-cheiroso, cheio de arrependimentos
e mais uma fuga
olho o horizonte só por olhar
não espero mesmo nada de novo
as mesmas falhas, as mesmas falas
minhas preces de ser feliz ao lado de alguém
que me canta e me ancanta
eu sei, o mundo cotinua lá
e isso sempre foi o problema

sexta-feira, janeiro 26, 2007

tragédia genética (destino?)

e foi hoje...
que eu desisti de ser ninguém
decidi ser alguém para alguém
por que ninguém mais há de aturar
esse velho mancebo
esse nada sem talento especial
só me engano, só me engano
talvez soe mais desesperado do que realmente é
eu já tinha me desistido há algum
hoje foi só o passo crucial
a entrada neste mundo
de aceitar ser mais um
correndo nesta estrada iluminada
dando adeus às trevas que tanto me acolheram antes
um último olhar e me despeço
engraçado que não tenho certeza de colher nada
e o risco de realmente alcançar alguma estação
é a plataforma dos conformados
dos seres (mais ou menos) vivos
da classe média
que passa pelos acidentes se choca
mas sempre de vidro fechado no carro
que aliás tem que ser meu desejo de consumo
é isso, me tornar um pai
ser um esposo
ser trabalhaor
respirar até aguentar nesta sensação de sufocado
e enfim... morrer aos 40!!!
se tiver sorte de chegar até lá.
notícia alarmante:
sigo os passos do meu pai
e como isso me assusta!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, janeiro 17, 2007

1a resolução de 2007

e isso aqui é o tanto
que vou dar por essa banda:
...............................................................................................................................................................................................................................................................

no more band!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

o monstro vem e balbucia no seu ouvido:
morte morte morte!
o povo clama:
desista desista desista!
pinga baba de tanto desespero
em seus olhos sofrimento
demantelho
desfragmenta minha idéias
e me toma por inteiro
é ódio e redenção
vem subindo e me atiçando
vem como fogo em braseiro
vem pegar a minha mão
me chama de cavalo e me percorre o corpo
sou tomado de assalto
e a partir de então
fico calado e mudo
passa um filme na tv: é comigo
eu fico assistindo
alguém mais me controla
não consigo evitar é bem maior que eu
e meu corpo solta um grito
na boa, não quer ensaiar
- vá tomar no seu cú e chega disso!

gotejar de morte

de vez em quando um lembrete:
olha, eu estou aqui
uma dorzinha fina "só pra não esqueceres de mim"

um gotejar de morte
um sonzinho no fundo bem agudo que incomoda
um recado: um dia isso tem fim


e é isso, continuar a respirar
pra se lembrar
que tudo pode acabar

continuar a lutar e perder
sonhar e sonhar
pra não realizar
só pra sofrer

um desistir de lutar por tantas causas inglórias
por tantas faltas de vontade
por tantas caras amarradas
medos, ódios e crueldades

quer saber o por que de tudo isso?
o que me feriu assim?
ah deixa pra lá, mesmo...
foi só mais um dia ruim.....

foi só mais um dia...
foi só mais um...
- foi só mas?...
- não, foi só... mesmo
- foi?
- sim, foi sim...
foi só mais um dia muito ruim!!!!!

outro tropeço

troque as mãos pelos pés
por vontade de se mandar no mundo
aceite que tudo que vier
é pra te deixar mais confuso
se enveredar em novas viagens
novos sonhos e conquistas
se embrenhar em paisagens
e novas florestas

toda glória que se podia ter foi para o espaço
perdida em soluços, falhas de caráter e descasos

meu mal humor me leva a gritar: eterno sozinho!
jogado do terraço até embaixo, esse é meu limbo

como dizer de novo bom dia vida, minha alma está aberta
se apenas encontro dor, feridas e morte nas aldeias?

semana e mais semana
dia e mais dia
mês e mais mês
hora e.. agora?
meu sonho morreu

sexta-feira, janeiro 05, 2007

um tropeço

é quando volto sozinho para casa que vem
aquela sensação de incômodo,
de querer fugir pro primeiro colo
de pedir aos seguranças do metrô: - falem comigo!
aos mendigos, me abracem
eu mereço ser amado
não mereço ser mal-tratado
ninguém merece se sentir tão sujo e humilhado
ninguém tem que achar que prejuízo é o normal
que o comum é fazer mal
ninguém tem por que passar ser escurraçado
quando todos deveriam abrir seus braços
e abraçar cada pessoa como que abraçando a vida
as possibilidades de que tudo pode dar certo
as rodas podem girar
e as coisas podem funcionar
mas de noite e em tão recente ano
em tão inocente ato
em tão lisa ação
fostes encontrar paredes ásperas
caras bêbadas
conivências e traições
o que se salva disso tudo?
um olhar de moça
um pedido de desculpa pela humanidade das pessoas
quase levanto a minha placa no estádio: - eu já sabia!
mas respiro e sigo como antes, talvez um pouco menos tão disposto
mas sigo!
só que de noite faltam pernas pra correr
olho pros lados estou só e lembro de um verso:
"você vai pra casa, você chora
e tem vontade de morrer"